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Abduções Corriqueiras

E surtos musicais, sandices de cinema, nerdices bacanas, buxixos básicos, etc etc... by Marina!!
6/2/2009

Minha vida no trabalho vai piorar sem a Antena 1 Light FM

Ontem, dia primeiro de junho de 2009, qual não foi meu susto ao ligar meu radinho e ouvir um… PAGODE! Ohmygod, cadê a Antena 1 Light FM?? Pois é, ela saiu do ar. No lugar dela agora você escuta a Nativa; onde era a Nativa agora é TUPI!

Já avisei aqui no trabalho: minha produtividade deve cair uns 20% com o fim da Antena 1 Light FM no dial do Rio de Janeiro. Por quê? Oras, porque, como o próprio nome da rádio explica, é uma Light FM. Só toca música calminha, para servir de “fundo”, que não atrapalha o meu serviço e não me faz mudar de estação constantemente (só trocava quando surgia Djavan ou Jorge Vercilo, ou aquela Ana Carolina).

Passo meus dias lendo e escrevendo. Trabalhar em silêncio assim é maluquice, não consigo. Com a Light FM e suas musiquinhas adoráveis que não atrapalham era uma maravilha… *suspiros* Vou sentir MUITA falta, sério.

Segue aqui uma lista com as coisas que eu mais gostava da Antena 1 Light FM e que explicam por que esta sempre será minha estação favorita:

  • Apesar da JB FM e da Paradiso terem quase que a mesma proposta, são rádios TOTALMENTE diferentes da Antena 1. A JB FM toca MPB demais, e isso me irrita muito. A Paradiso tem momentos digníssimos (toca Dave Lee Roth e Bon Jovi!), mas fica num lugar quase impossível de achar no dial. Além disso tem uma falação péla-saco em certos momentos (especialmente quando surge o Luciano Huck e aquele sotaque HORROROSO).
  • Outra coisa que diferenciava a Antena 1 Light FM da Paradiso ou JB eram as sequências. Rádio não é só pra tocar musiquinhas aleatórias; na minha opinião a ordem que elas tocam é fundamental. Eu deveria ter anotado algumas para escrever aqui, agora não me lembro de nada. Mas passei por tardes sob tremendo stress que, não tenho dúvida, sem a “música certa na hora certa” teriam sido bem piores.
  • Tocava flashbacks do arco da velha, que me traziam memórias e conforto. Tipo Bangles, Boston, Eagles, Prince, Bowie farofa, Queen, power ballads fodonas, Duran Duran, Cure, Depeche…
  • Sempre eram pouquíssimos anúncios entre um bloco de música e outro.
  • Quase não existia falação de locutor. E quando tinha eram notícias curtas e rápidas.
  • Ahh, não posso deixar de mencionar a minha “falação” favorita: todo dia a locutora descrevia o tempo de forma EXTREMAMENTE POÉTICA. Volta e meia eu tuitava sobre isso! Era a coisa mais linda! “céu com pinceladas de azul…” “o sol brilha e faz as pessoas saírem felizes pelas ruas” e por aí vai.
  • Algumas músicas só tocavam na Antena 1 Light FM. Tinha um medley Star Wars INACREDITÁVEL. Outro dos Beatles que levava meia hora. Idem com ABBA. Carrie Underwood, uma das vencedoras do American Idol que fez um hit fodaço em 2006 mas obscuro por aqui, “Before He Cheats”, tocava. Paolo Nutini, “New Shoes”, tocava. Ben Kweller, “Catch My Disease”, tocava. Bruce Springsteen, tocava de tudo – não só “Streets of Philadelphia”! Police? Inúmeras, não só “Every Breath You Take”! Fleetwood Mac? Várias, várias! Morcheeba, idem! Genesis? Idem!  E por aí vai. Às vezes eu ficava de boca aberta no trabalho: caraca, eles estão tocando ISSO? Foda!

E o item mais importante:

  • Minha paixão pelo Chris Isaak é parcialmente culpa da Antena 1. A rádio não tocava só “Wicked Game” e “Back on your side”, mas várias dele, como uma versão ao vivo MARAVILHOSA de “Blue Moon” e a música que finalmente me fez correr pra loja atrás do best of: “Can’t do a thing to stop me”. Essa pérola você não ouvia em mais nenhuma outra rádio: só na Antena 1 Light FM.

Entende agora como meu coração ficou triste de saber que não vou ter mais a Antena 1 como “colega de trabalho”? Várias maravilhas se escondiam na sua programação, que agora todos perdemos.

Que a estação volte, e rápido!

5/25/2009

Tag cloud do momento

Pois bem, como já escrevi neste post, pretendo, de vez em quando, botar aqui uma tag cloud "da vez", que reflita minhas últimas rabiscações.

O site que faz isso se chama Wordle.net e recomendo a visitinha!




Espantoso ver o tamanhinho que ficou o U2, hein!

Daqui a dez posts tem mais :)
5/12/2009

Como é bom gostar de trashices pop (ou: o clipe novo do Enrique Iglesias é TUDO!)

Já é a *segunda* vez que me pego viciada numa canção do Enrique Iglesias. A outra foi "Do You Know (The Ping Pong Song)", de 2007 (leia mais aqui).


O negócio está brabo: há SEMANAS "Takin' Back My Love", que tem a participação da Ciara, não sai do meu som. Segundo o Last.fm, já escutei a canção no meu iTunes 82 vezes (ops, 83). Isso sem contar as voltas do trabalho no metrô ouvindo a música sem parar no celular (são 40 minutos NON-STOP. Faça as contas.)


Qual é o meu problema??


Bom, não sei. Só sei que quem está mexendo na carreira do Enrique Iglesias está fazendo um trabalho assustador. Esta música é (mais) uma pérola deliciosa do mais puro eurodance trash. Ou será miami bass? Ou "mero" pop pegajoso?


Esse produtor (ou seja lá quem for o gênio por trás dessa guinada na carreira breguérrima do cantor) conseguiu pegar o "drama" inerente do latin lover e botar na dance music! E realmente, por que nunca pensaram nisso antes?? Se temos cantoras gritonas, por que não um homem?


Enrique Iglesias = música de corno, certo? Mas agora música de corno NÃO é mais igual a baladas horrorosas!!!


Ao colocarem uma base dance e uns arranjos que quase me lembraram o antigo “funk melody” (tipo Tony Garcia), chamarem uma cantora com quem ele pode contracenar cenas tórridas (hã...!) e criarem um clipe que por si só já é qualquer coisa, não tenho vergonha de dizer aqui que pra mim a perfeição foi praticamente atingida – no que diz respeito ao Enrique Iglesias, claro!


Tá, vocês vão me encarnar e retrucar: “ah, mas é porque você sente um prazerzinho de ver o Enrique sofrer”. PÔ, CLARO!! Quem não sente???


Gente, eu entro em ÊXTASE vendo um galã daqueles comendo o pão que o diabo amassou nas suas músicas! E os bicos?? Ahh, os bicos que ele faz... a testa franzida... os olhos fechados... o cabelinho desgrenhado... é HILÁRIO! Amo. Sério. Especialmente agora que posso assisti-lo SEM colocar o vídeo no mudo! Falando nisso...


Este clipe precisa ser comentado passo a passo.


Com a abertura similar a um filme (praticamente todo vídeo “grandioso” de hip hop é assim agora), a coisa promete. Começa com closes em porta-retratos onde aparecem Enrique Iglesias e Ciara juntos, etc e tal. Tipo, você até respira fundo e pensa: Aí vem conteúdo profundo. U-i-ê!


Então a gente já vê os dois cantores discutindo, e a Ciara armando barraco de cima de um salto agulha! U-a-u! Esta é uma introduçãozinha, onde os dois gritam por cima do instrumental: “Ciaraaaa” “Enriqueeee” (hilário!)


Depois disso começa o show do Enrique: “Go ahead just leave, can’t hold you, you’re free / You take all these things if they mean so much to you”. Aos 35 segundos do vídeo, o mocinho está sentado no chão da casa sofrendo e afirmando por entre o bico: “I gave you your dreams ‘cause you meant the world / So did I deserve to be left here hurt?”


Aos 45 segundos, a coisa esquenta: ele vai ao banheiro, vê o porta-retrato dos dois na pia (oh-my-god! Quem tem porta-retrato NA PIA DO BANHEIRO??? Hilário!) e canta: “You think I don’t know you’re out of control / I ended up finding all of this from my boys / Girl, you’re stone cold, say it an’t so / You already know I’m not attached to material”


Aí, na virada tchuns do refrão (o grito “I’d give it all up”), ele pega o colar da Ciara a CRASH! Quebra tudo no chão!! Uhh, como ele sooofre! Ele se debruça na pia... ele está cabisbaixo... E ELE DERRUBA TUDO DA BANCADA! O refrão começa e a quebradeira também! (“But I’m takin’ back my love, I’m takin’ back my love, I’m takin’ back my love / I’ve given you too much but I’m takin’ back my love, I’m takin’ back my love, my love, my love, my love, my love”)


Aí vem a parte da Ciara! Ela entra na casa e começa a discutir (cantar... kkk!) a relação com ele: “yeah, what did I do but give love to you? I’m just confused as I stand here and look at you / From head to feet all that’s not me / Go ‘head keep the keys, that’s not what I need from you”.


Em seguida ela cata umas roupas dele, e PAFT!, joga na piscina! O DR também continua, enquanto ele aparece em outro take respondendo, assim como na canção (Hilário, hilário!): “You think that you know (I do) You’ve made yourself cold (oh yeah) / How could you believe them over me, I’m your girl / You’re out of control (so what?) how could you let go? (oh yeah) / Don’t you know I’m not attached to material?”


Na segunda vez que o refrão entra, porém, Enrique surpreende a todos e vai até a cozinha...jogar leite no chão!!! (Hein?) Sim, ele esvazia a geladeira inteira, destrói toda a comida, só de raiva! (uuuui!) Enquanto isso, Ciara joga um quadro na piscina e outras coisas que não dá pra saber o que seriam. O mais maneiro é, aos 2:17, ela jogar coisas numa fogueirinha freak no meio da sala (não, não é numa lareira).


Então os dois se encontram de novo, em frente a uma mesa de jantar. Aí cada um vai discutindo com o outro derrubando e quebrando coisas! Acompanhe o diálogo:


E: So all this love I give you, take it away

C: You think material’s the reason I came

E:  If I had nothing would you want me to stay?

C: You keep your money, take it all away


E aííí.... uhh, aí é o clímax da música e, aos 2:35 min do vídeo você começa a ver as cenas mais “quentes” que o Enrique Iglesias pode protagonizar com uma mulher: o agarro-quase-beijo.


Aos 2:52 é a melhor cena: Enrique Iglesias parece o maior bebê chorão da paróquia! Seu acting é absolutamente sensacional de tão canastra! Ai aaaaai! Quanto sofrimento! Quaaaaquaquaquaquá!


Então o pancadão do refrão segue, eles continuam quebrando tudo, até que aos 3:24 as coisas se “acalmam”, a música se encaminha para o final e vem mais quase-beijos com o Enrique – o que é perturbador, pois não pude distinguir quem canta aquele falsete inacreditável no final!


Assista e se delicie! Tô torcendo muito pra virar hit!



    

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5/6/2009

Checando se sou digna de um jantar romântico

Estou me acabando de rir aqui com as dicas da Revista ESTILO de dezembro passado sobre como se aprontar para os mais diversos eventos - festa de trabalho, noite black-tie e... jantar romântico.

Já começa hilário:

A ideia é ter um look o mais sexy possível, mas sem parecer que gastou horas para conseguir esse resultado.

Então vamos lá. Como daqui a pouco tenho um date comemorativo com meu môre, resolvi encarar a matéria!

A "contagem regressiva" já começa...

  • QUATRO DIAS ANTES! (o-oh)

Segundo a revista, quatro dias antes do date você deve ir a um DERMATOLOGISTA. Para fazer uma MICRODERMOABRASÃO e remover células mortas, deixando a pele radiante.

Hmm...

 

  • Dois dias antes você tem que se depilar.

(ok, check. DÃ, né.)

 

  • Um dia antes tem que ir no salão fazer hidratação no cabelo - e aproveitar para retocar manicure e pedicure!

Hmmmmm...

 

  • QUATRO horas antes você precisa lavar o cabelo, separá-lo em mechas largas, torcê-las e prendê-las no topo da cabeça (ai!). Aí você deixa secando ao natural ou usa um difusor (um o quê?)

Ops! Tô no trabalho, ôu. A não ser que eu lave meu cabelo na pia do banheiro das mulheres e resolva surpreender minha chefe com um visual Frankenstein, nada feito.

 

  • UMA hora antes você deve soltar o cabelo e dar um acabamento "baby-liss" a ele.

Hmmmmmmmmm...

 

  • 30 minutos antes você deve se maquiar. Base, rímel, sombra clara "acetinada" (hein?) e batom discreto.

Olha só, meia hora antes eu estarei no metrô. E não, não tenho base, nem rímel, muito menos sombra clara acetinada. Sorry, môre :/

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Continuando a reportagem, há três dicas de profissionais (em jantar romântico? kkk).

 

  • Dica #1: Suas unhas não devem competir com as roupas. A sugestão aqui é um esmalte rosa natural ou bege brilhante, "apropriadas para um encontro romântico".

Por incrível que pareça tenho trocentos esmaltes em casa MENOS rosinha e bege clarinhos. Oh boy!

 

  • Dica #2: Dê atenção extra ao corpo. A revista diz que o ideal é esfoliar-se toda semana. Especialmente joelhos e cotovelos.

Uau, não tinha ideia de que essas partes do corpo eram tão essenciais num date! *anotado!* (kkk!)

  • Dica #3: Preste atenção no make dos lábios. Segundo a revista, "bocas muito delineadas ou coloridas costumam afastar beijos", portanto seja discreta! A dica é usar uma "tintura para lábios" (cuma??), esperar secar e passar em seguida um "balm labial" (hã?) levemente rosado.

Seja lá o que forem, aparentemente não são o mesmo que BATOM. E fudeu, porque a coisa mais exótica que eu tenho que não é batom é GLOSS. Tsc. E vem cá, pra quê maquiar a boca num “jantar romântico”, cacilda? Pra começar, é um JANTAR. Eu vou COMER. E é ROMÂNTICO. O que pra mim inclui AMASSO.

Por fim, a revista destaca uma "arma secreta". Pausa para revelar a arma secreta da festa de trabalho: MANTENHA A SUA CHAPINHA SEMPRE GUARDADA NA GAVETA! PQP, morri! kkkkk!

Bom, no caso do jantar romântico, a arma secreta é um autobronzeador, que você deve aplicar 3 dias antes. E na véspera você tasca um hidratante iluminador.

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Mas voltanto ao mundo real…………

Eu lavei a cabeça ontem. Depilei. Arrumei a bolsa. De manhã escolhi a roupa, brincos etc. Botei perfume. Prendi um rabo (ops!).

Agora falta uma hora para o encontro. O máximo que fiz foi ficar o dia inteiro de cabelo preso para não zoneá-lo. Pretendo escovar os dentes (muito importante, viu ESTILO?? Como vocês esqueceram disso, cara? Tsc!) e passar uma segunda dose de perfume leve. Por fim, lavar as mãos, pois vocês não têm ideia do quanto eu me sujo de caneta no trabalho.

Ah, sim, e vou soltar o cabelo. Mas isso só tipo “1 minuto antes” do encontro, depois que eu descer do metrô e sair daquela ventania louca.

Marina se ajeita pr’um date depois do trabalho em 3 minutos e meio – e às vezes esquece de soltar o cabelo! Tsc!

4/27/2009

Quando a vaidade castiga

Hoje eu tive uma troca de emails HILÁRIA com uma tradutora/organizadora/revisora/whatever de um livro. Vou republicar alguns trechos imperdíveis aqui. Alterei algumas coisas para não rolar ainda mais encrenca, e essas mudanças estão em itálico. O resto é tudo verdade, juro.

Antes, um pequeno prelúdio de como tudo começou: a mulher reclama que seu nome não aparece na ficha catalográfica do livro. Acontece que aparece, sim, logo na linha 2. O que ela não se conforma é que o nome de outras pessoas aparecem mais vezes que o dela. Hmmm...!

Acontece que ficha catalográfica a gente não inventa – eu solicito a pessoas especializadas, que a produzem de forma a seguir um padrão, até onde eu sei, universal. Então eu não posso simplesmente inserir coisas ali da minha cabeça; há todo um critério.

Então, muito polidamente, respondi:

De: Tia Má
Enviada em: segunda-feira, 27 de abril de 2009
Para: Fulana de Tal; minha chefe
Cc: chefe da fulana
Assunto: Re:  alterações

Oi, Fulana,

Sobre a ficha: ela é gerada pela XXX seguindo as regras e critérios internacionais de catalogação e não podemos alterá-la.

O que eu posso fazer é tentar solicitar tais alterações junto a eles numa possível segunda edição, mas não posso garantir, ok?

Agradeço a compreensão,

Tia Má

-----------

Ok, provavelmente o “não posso garantir” a enfureceu. Ok, eu posso ter sido a responsável pela explosão divertidíssima de ego do email seguinte, mas c’mon! É verdade! Não posso garantir que a catalogação coloque o nome dela onde ela quer! Esse é um dos poucos espaços do livro onde não se mexe. Sorry!

Então vejamos a pérola IMPERDÍVEL que eu tenho aqui na minha caixa postal.

----- Original Message -----

From: Fulana, colérica

To: Euzinha + minha chefe

Cc: Chefe dela

Sent: Monday, April 27, 2009

Subject:

Gostaria de saber o motivo de meu nome não ter constado na ficha, e peço que de fato seja corrigida e garantida a inserção de meu nome. A ficha é importantíssima e a pessoa principal desta tradução fui eu, pois selecionei a equipe, gerenciei a tradução (até demiti um integrante que não estava apresentando qualidade no seu trabalho), revi 3 vezes cada trabalho, traduzi várias partes do livro e traduzi as partes relacionadas a uma Dilbertice inútil aí do mundo dos negócios para atualizar o livro.

Não compreendo essa não inserção de meu nome e peço que se faça a correção urgente seguindo todos os critérios e destacando meu papel que foi fundamental neste livro como tradutora, revisora, coordenadora.

Att,

---------------

Como se vê, por pura dissonância cognitiva ela surta exigindo o nome dela na ficha. (o nome *está* na porra da ficha. Fato. Linha 2, caralho.)

Este email é espantoso. Em oito anos de trabalho nunca vi ninguém ficar de tanta mesquinharia por causa de um nome na ficha que “só” aparece uma vez.

Percebeu quanta mágoa no coraçãozinho e quanta reclamação sobre o “esforço” que foi o seu trabalho? (Pra constar: não é a primeira vez que ela cria encrenca com créditos. Num outro livro ela exigiu que a fonte MAIOR fosse no nome dela, e não no nome do autor principal, o chefe dela. Foi quase que o mesmo email que vocês leram aí em cima)

Ou seja, é óbvio que temos um problema pessoal GRAVE aí rolando com ela. Insegurança? Vaidade? Divórcio?

Tanto que eu nem estou morrendo de raiva (como quando aconteceu isso aqui.) Estou é com pena dela. Ela deve se esfalfar no trabalho e não ter uma promoção há tempos. Deve se matar com cursos, MBAs e doutorados para nada. Está na cara que ela precisa de reconhecimento alheio para se validar. Que ela provavelmente não acha que recebe este reconhecimento do chefe (que vem a ser o – caham! – autor original do livro). Que ela possivelmente abriu mão de uma série de coisas para se dedicar à carreira (filhos, marido etc?) e que ela é claramente ressentida com ele por isso.

Então podemos facilmente especular…. Que ela provavelmente passou o fim de semana sozinha, comendo pipoca e vendo o Telecine, enquanto a irmã mais nova faz o enxoval do seu segundo bebê. Que ela desligou o telefone para não ter que atender a mãe com suas lamentações e/ ou indiretas pra cima dela, a mãe que não faz ideia das conquistas profissionais dela.

Que, enfim, ela passou o domingo inteiro procurando erros no livro para, quando chegasse segunda-feira,  “mostrar serviço” ao chefe – e, claro, indiretamente tentar provar o seu valor mandando toda essa fúria com cópia para o próprio.

É triste, até porque eu sei por alto a opinião dele sobre o trabalho dela. E mais não digo.

Mas continuando, como minha chefe viu o email e pediu que eu a avisasse de que “o nome está lá sim, vai ver ela não percebeu”, tive que responder. De novo. Aiai.

De: Tia Má
Enviada em: segunda-feira, 27 de abril de 2009
Para: Fulana, minha chefe
Cc: chefe dela
Assunto: Re:

Cara Fulana,

Seu nome consta na ficha. É o primeiro nome após os autores, aliás.

Só não sei te dizer se o destaque que você quer cabe no critério seguido pela XXX. Não posso impor algo ao padrão internacional que eles seguem.

Pode ter certeza que enviei todos os dados e créditos, incluindo imagem de capa e folha de rosto com seu nome etc. Infelizmente não posso alterá-la, pois ela segue uma regra.

Quando da próxima edição, verificarei junto à entidade o que pode ser feito, ok? Só não garanto que eles concordem.

Agradeço a compreensão,

--------------

Depois disso ela gritou pela minha chefe, que ela se manifestasse, minha chefe me disse que ia ficar quieta, depois veio mais um email extremamente grosseiro e claramente vindo de alguém fora de si “tentando me explicar” exatamente onde eram as modificações que ela queria. Ah, sim, porque ela agora é a grande rainha soberana da catalogação de livros. Claaaaro. Onde mesmo está a explicação de que eu não posso alterar a ficha? No email anterior?? Pois é.

----- Original Message 3 -----

From: Fulana fora de si

Sent: Monday, April 27, 2009

Subject: RES:

Observe atentamente a nota que segue abaixo, conforme email que enviei anteriormente. Explicarei melhor:

  1. (…)

Ou então, explique o significado deste “;”.

  1. Falta incluir meu nome na ficha, na parte: “1. Assunto do livro… + série de tecnicalidades ”.

Ou então, explique o motivo pelo qual não incluiu nesta parte.

Att,

-----------

Cuma? “me explique então por que este ponto-e-vírgula está fora do lugar e por que você não incluiu meu nome 3 vezes”???? Ahh, vai, não tô podendo… explicar pela TERCEIRA VEZ que eu não tenho nada a ver com isso, e que é preciso respeitar o critério da ficha??

Depois dessa, só pude rir e responder:

----- Original Message -----

From: Tia Má

Subject: Re:

Fulana, sinto muito, mas não sou eu que faço a ficha. E eu não posso alterá-la só porque você quer. Por favor entenda.

Vou encaminhar seu email à entidade responsável quando da segunda edição do seu livro, ok?

---------------

(o que vai fazer de mim uma perfeita idiota, encaminhando mensagem malcriada de autor para a catalogação! Veja se tem cabimento uma coisa dessas…! Tsc.

Não, sério… o quão lamentável sou eu tendo que escrever aquele primeiro parágrafo para uma pessoa ADULTA e supostamente alfabetizada?? Tsc²)

*****

Depois de muito investigar e consultar outras publicações etc., acabei descobrindo o que aconteceu: como quis que seu nome tivesse destaque sobre os “outros” tradutores, como numa hierarquia (primeiro ela, depois os outros), ela exigiu aparecer como coordenadora e revisora da tradução”.

Só que….

Quem revisa e coordena não aparece com tanto destaque numa ficha quanto quem traduz. Quem revisa e coordena não é tão importante para a catalogação. Os tradutores são muito mais creditados, por padrão. Ou seja, ela basicamente leva quase que o mesmo crédito que eu – NENHUM!

Então, por pura vaidade, a nossa Fulana ganhou MENOS destaque na ficha.

Eu precisava deixar isso registrado para o mundo. Não só para mostrar como a vaidade destrói o mente de uma pessoa, mas como foi irônico ver, neste curioso caso do mundo da catalogação, os “subalternos” serem os mais importantes.

4/13/2009

Considerações sobre os novos de U2 e Chris Isaak

E o CD do U2, hein?

Depois da 28a. audição, até posso dizer que "gostei" do disco, mas c'mon: quase soa como "forçação de barra" de fã.

Tirando "Magnificent", que é, humm, magnífica, nada mais em No Line on the Horizon me tocou profundamente. É um disco de rock ok, com baladas ok, algumas lembrando exageradamente o Unforgettable Fire, enfim.

O desavisado poderia achar que é o U2 de sempre, blablabla, mas pô. O U2 de sempre me emociona. Tem algo errado.

E não é porque eu tô véia de guerra e enjoada da minha banda-amada-do-meu-coração-e-que-já-faz-parte-da-minha-vida. Eu fiquei louca com o How to dismantle an atomic bomb, adorei. Não sei o que houve desta vez, meu querido Bono, mas não rolou. "Magnificent" é LINDA, LINDA, LINDA. Mas é só.

As outras faixas me causaram coisas como bocejos, cochilos e muita, mas muita dispersão. Não prestava atenção direito, nada me prendia ao ouvir o CD. Ou seja: desinteressante. Meia-boca. Enjoativo. Previsível. (sabe quando você escuta e consegue imaginar direitinho onde cada faixa vai entrar no "roteiro" do próximo show? Pois é. Tédio.)

Tentei quase trinta vezes, até tô curtindo e tal, mas.....

(bem, siga lendo.)

*****

Maaas....

 ...a questão é que, semanas depois de estar nesse momento "ouvindo U2 sem parar só pra ver se eu gosto do disco", chega outro lançamento por aqui: Mr. Lucky, o novo do meu amadíssimo Chris Isaak.

Tô achando o álbum absolutamente adorável - e quanto mais ouço mais prazer sinto, mais sorrisos eu abro, mais feliz eu fico! Ele desceu tão facilmente.... ouço-o em loop aqui não porque quero me acostumar com ele (caham!) - mas porque me pego voltando as faixas constantemente.

Na primeira audição, aliás, "Best I Ever Had" grudou na cabeça. Apaixonei-me profundamente na hora! Essa tem que ser single!!!

E então outras foram se seguindo e ocupando um lugar especial no meu coração:

  • "We Let Her Down", com uma guitarrinha bem Marina-style
  • "We Lost Out Way", tãaaao melancólica - e, portanto, liiiinda de morrer
  • "Summer Holiday" é outra pérola: não se engane com o título, essa música é broken heart puro
  • "I Lose My Heart" é bonitinha que ela só

Agora, se você quer sofrer MUITO e/ou se comover com o sofrimento alheio, ouça "You Don't Cry Like I Do". A letra é de cortar o coração: You don't know how much this whole thing hurts me. / Cause you don't cry, cause you don't need me now, cause you don't want me now. / You don't cry, cause you don't need me now, you don't want me. / You don't want me, you don't love me. That's what kills me.

Uuuuuh!

Pena que a música não tem uma melodia tão tensa quanto eu imaginaria para uma letra como essa. (ou seria ainda bem? Hmm! :P)

Apesar de algumas faixas (especialmente as baladas) cheirarem ao mais típico country pop, o disco é delicioso. Até os momentinhos bregas soam cool com esse hômi no vocal, é incrível!!

O único protesto é sobre "Breaking Apart", que foi regravada com a Trisha Yearwood e virou sertanejo - até porque sua participação não ficou tão legal quanto a 'segunda voz' da versão original, que está no Speak of the Devil e é muito mais dolorida.

No mais, tudo o que você esperaria de um CD do Chris Isaak está em Mr. Lucky. Um pouco mais caipira, decerto - mas ainda assim extremamente cool. A-DO-REI - ou melhor, tô adorando, pois tão cedo sai do meu som, ôooun!

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3/26/2009

Manés em 3 tempos

1.

Quer saber? Up yours!

Vai se fuder, você e suas noias. Você e suas  “issues”. Você e seus traumas não-resolvidos de adolescência. Você e sua raivinha descontrolada só porque levou um pé na bunda.

Se você, pela 136a vez, se meteu com a garota errada, achando que dessa vez ia dar certo, que dessa vez finalmente você ia ter conseguido a sua princesa, a sua prom queen, ou simplesmente a “musa do bailinho”, enfim, se você tomou um fora que só você não viu chegar, meu filho, eu não tenho NADA a ver com isso.

Agora vai lá tirar as calças pela cabeça que eu não tenho saco pra recalcados.

2.

E você? A sua namoradinha imaginária te abandonou, né? De novo? Oh que triste!

Faz o seguinte: da próxima vez tente não se envolver com gente que não existe. Elas são muito complicadinhas para a sua caixola limitada.

Eu seeei que pessoas reais, depois de um certo tempo, fazem de tudo e mais um pouco para te evitar e tal. Mas é porque você é babaca pra caralho.

Já olhou pra trás e percebeu isso? Todas as meninas que você pegou estão com outros. Ou outras. E felizes da vida!! Enfim, você sacou a indireta. Tem algo intrinsecamente errado contigo e só as novatas otárias ainda não sacaram isso.

E eu vou te contar um segredo: não é porque você fica eventualmente bêbado, ok? Ninguém te suporta nem sóbrio!

Agora vai lá get a life que eu não tenho saco pra gentinha mau caráter.

3.

Nossa, você eu nem sei quem é! E – olha só que coisa... – aparentemente você não se conforma com isso! Que curioso!

Olha, sempre caguei solenemente pro que você faz ou deixa de fazer.  É sério. Você não acredita/não se conforma/acha que eu tô de caô, né? Mas é verdade.

Não sei de nada que se passa contigo, mas disso eu sei: és um mané insignificante!

Agora vai lá  e... ah, sei lá. Como sempre, ca-guei.

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3/12/2009

Eu Sou A Lenda (I Am Legend)

(ou: até onde Hollywood consegue ir com sua cara de pau)

Ok, vamos lá. Sentei para ver esta pérola porque minha mãe viu no cinema, não entendeu uma certa cena, escreveu num papel a dúvida e pendurou na minha cortiça. Já nem tenho mais a cortiça, mas o bilhetinho ficou.

Bem, eu ia assistir anyway. Sou fã do Will Smith enquanto "ator de ficção científica". Os dramas eu dispenso, mas quando ele precisa lutar com aliens, monstros, robôs ou zumbis, count me in!! A-do-ro!!

E vou te falar... o filme só me manteve acordada por causa dele. O roteiro e a direção são lamentáveis - ô historinha ridiculamente contada!

Sabe os ingredientes perfeitos para um blockbuster à la Spielberg? Estavam todos lá. Criança, família que se separa, homem sozinho tendo que salvar o mundo, animal de estimação como sidekick e monstros, muuuuuitos monstros!!! Tudo causado por seres humanos e fazendo o nosso herói perder a fé em Deus. E blá, e blá, e blá. Há filmes às pencas assim, certo? E não necessariamente são ruins, certo?

O problema é que ficou tudo jogado. Nem sei se esse filme foi dirigido, no sentido literal da palavra - de ter uma pessoa por trás botando ordem na coisa. A impressão foi ter visto um amontoado de cenas impactantes mas que, juntas, nem de longe formam algo interessante. O negócio funcionou mais ou menos assim:

  • Will Smith é o único sobrevivente de um vírus terrível em NY. Vamos botá-lo caçando bichos em carrões com a cidade deserta e abandonada, mesmo isso não tendo lógica alguma? êeee, vamos!
  • Will Smith tem um cachorro acompanhando-o o tempo inteiro. Vamos fazê-lo parecido com o Tom Hanks e o Wilson? êeee, vamos!
  • Will Smith tinha uma família. Não mais. Vamos fazer com que ele tenha flashbacks sobre a última noite, a noite em que Manhattan foi evacuada, mesmo que isso não passe de 5 minutos e não explique porra nenhuma nem tenha qualquer relevância para a história? êeee, vamos!
  • Will Smith tenta loucamente achar uma cura para o vírus. Vamos ignorar o fato de que ele está há TRÊS ANOS isolado do mundo e vivendo numa cidade abandonada, e fazer com que o personagem tenha um super Macintosh funcionando, além de váaaarios ratinhos de laboratório e equipamentos médicos? êeee, vamos!
  • E por aí vai.

Quase nada é explicado nesse roteiro. Você tem ação, momentos incrivelmente tensos (a cena dele com o cachorro machucado é longa, close total no rosto do Will Smith, sem cortes, e é ALGO! Fooooda! Melhor coisa do filme inteiro!), zumbis feiosos e ponto final. Não se discute nada no filme. Você não é convidado nem a fingir que está refletindo sobre alguma mensagem, como nos outros enlatados que a gente conhece. Aqui você assiste uma bobeira absurda por quase duas horas e aceita. Ponto. A história louca, vaga, com poucos detalhes, é aquela e acabou. Coma sua pipoca no cinema e shhhh!

Como a mulézinha diz no final, "esta é a lenda".

Eu a-pos-to que eles inventaram esse nome (e esse final!) ao verem a forma desleixada como foi filmado um roteiro tão frouxo.

Você quase é enganado com esse truque. QUASE. Eles botaram um verniz de "mito" na história para justificar a falta de apuro nas situações, nos detalhes, etc., mas não se engane: o filme é ruim de doer SIM, e esse diretor é picareta SIM.

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3/4/2009

Respostas que eu gostaria de ter dado a certos e-mails weasels

Hoje eu tive um dia horrível no trabalho. Isso porque - entre outras coisas - meu e-mail apitava de 5 em 5 minutos com as mensagens mais estapafúrdias que você pode imaginar (ok, sempre é possível imaginar pior). Eu cheia de serviço e aquela porcaria tomando o meu precioso tempo.

São mensagens que eu perco um tempo absurdo lendo - e ignorando. Ahh, a arte de ignorar e-emails.... É um dom a se cultivar, porque se eu fosse respondê-los ia ser algo como o que segue:

  1. "Se você vai me mandar um e-mail com material só na sexta, POR QUE ENVIAR UM AGORA ME AVISANDO ISSO??"
  2. "Se você vai me ligar,POR QUE ENVIAR UM EMAIL AT ALL??"(o inverso também vale - PRA QUÊ MANDAR E-MAIL SE VOCÊ VAI ME LIGAR DEPOIS?? Siga lendo)
  3. "Estou respondendo o seu e-mail. POR FAVOR NÃO ME LIGUE DE VOLTA CONFIRMANDO O RECEBIMENTO DESTA MENSAGEM" (isso acontece tanto, mas taaaaanto.....! ¬¬)
  4. "Se você pede que eu confirme o recebimento do contrato pelo correio, por que TODO DIA ME MANDA MENSAGEM PERGUNTANDO SE EU RECEBI??? SE EU NÃO RESPONDI É PORQUE AINDA NÃO CHEGOU!"
  5. "Piadinhas e gracinhas comigo via email? P-lease! Se toca, meu filho!" (Ser simpático é uma coisa, O QUE NÃO PODE É SER ARROZ NUM E-MAIL PROFISSIONAL. Inviável, deplorável - e nojentinho, vai)
  6. "Idiota. Não é capaz de organizar o próprio Outlook e espera que eu facilite a sua vida reenviando coisas eternamente?? NEM FUDENDO." (traduzindo: Eu mando coisas para Fulano. Fulano, perdido no próprio Outlook, me pede para reenviar a mensagem, achando que eu provavelmente sou um bot à disposição de gente como ele, imbecil e preguiçosa, que em vez de se esforçar um pouquinho mais para fazer o seu trabalho, prefere perturbar os outros. YEAH, RIGHT. Este é o caso em que eu mais sinto prazer não respondendo, pois aplico o chamado "Wally reflector": quando alguém quer te empurrar trabalho só para ela mesma trabalhar menos, faça com que a vida dessa pessoa seja um inferno - Veja mais aqui)
  7. "A dondoca está dando chilique por quê? Dormiu mal esta noite? Pois volte a entrar em contato somente quando o lado útil do seu cérebro estiver funcionando. Grata. Ah, e antes que eu me esqueça, VÁ À MERDA, SUA VACA ESTÚPIDA E  MAL-EDUCADA!" (E-mails de autores aos faniquitos são altamente improdutivos. Como não posso respondê-los à altura - apesar de merecerem!! -, só me resta tratar do livro em questão com má vontade atééé o final da produção. Sabe aquele jeitinho que eu poderia dar numa determinada situação? Sabe aquela ajudinha lá com a gráfica / designer / chefe / etc? Not... gonna... happen! lalala! Pois é, adivinha quem é a última pessoa que eles deveriam querer irritar neste momento? *wink wink*)

As pessoas não entendem a ferramenta que têm em mãos. Não vou me alongar teorizando sobre o assunto porque meu objetivo aqui foi listar a quantidade de inutilidades que pode cair na minha caixa postal ao longo de um dia.

Deixo aqui um único e valioso conselho: antes de apertar o "Send / Enviar", olhe bem para a mensagem a sua frente e se pergunte: "Preciso MESMO mandar isso?"

A resposta provavelmente é não, so shut the hell up.

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2/10/2009

Folha entrevista Mulheres Fúteis S.A.

Estou simplesmente PASMA com a reportagem de domingo que saiu na coluna Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo. Eles reuniram em SP quatro esposas/namoradas de investidores financeiros.

Pra começar, analisemos a foto.

image

Você vê alguém aí com cara de desesperada? Em sufoco? Ou num momentinho 'socorro-minha-vida-está-um-caos'? Pois é, então não me perguntem por que o título da matéria é Crise? Credo!. Isso sem contar que a legenda diz que as quatro “comentam a crise”. Ora, ora, drinks glamourosos na mão, roupas chiques, cabelos impecavelmente lisos, todo mundo sorrindo…  todas com cara de “comentando a crise”… YEAH, RIGHT.

Pausa para estrebuchar aqui sobre a futilidade horrorosa que essa foto transmite. Fica parecendo que mulher é tudo assim, desmiolada, que em tempos de crise só têm a tricotar com as amigas que também namoram investidores, banqueiros, economistas etc, pois afinal os estressados com isso são eles, os homens. A mulher se estressa porque não ganha a florzinha do mês (siga lendo).

Ah, meu, me poupe! Tomanocú!

Tem outra coisa aí que me irrita profundamente: quando a mulher é fruto de curiosidade alheia (= reportagem) só porque namora/é casada com alguém. Tipo, quem diabos elas são?  Mulheres de gente do mercado financeiro, e não mulheres do mercado financeiro. Ohhh….

Isso é machismo disfarçado – ou alguém aí vai entrevistar marido e namorado de investidorA financeira? I didn’t think so.

O pior disso tudo? O resultado da matéria confirma (e justifica?) o machismo todo. Porque pelo menos 3 delas são desmioladas e só falaram besteiras!!! Não se é capaz de captar NENHUMA opinião sobre a tal da crise – mas convenhamos que o repórter também não fez o menoooor esforço, néam… quis mesmo é fazer graça.

Enfim, depois que li aquilo senti vergonha de ser mulher. Mas continuando…

Vamos contextualizar rapidamente o que elas e os seus respectivos fazem: o marido da primeira é “head trader” [consultor financeiro, segundo a reportagem]. Ela é “empresária e profissional de marketing”. O namorado da segunda é “captador de recursos para crédito externo” [whatever that means]. Ela é consultora e reclama que ele parou de mandar a “flor mensal”. Oh, god! A terceira é estilista e o namorado é corretor de títulos imobiliários. Já a quarta é joalheira e o marido é um investidor do ramo imobiliário.

Tirando o drama da segunda, que ficou sem a sua “flor mensal”, vejamos os problemas que as afligem:

  • Um casal passou a sair menos.
  • O marido de uma delas era muito falante e ficou “mudo”.
  • Um dos namorados dormia e acordava com a TV no canal Bloomberg.
  • Um deles “perdeu aquela alegria”. E passaram apenas a viajar pelo país, e não exterior (o que fez uma delas comentar “Pra não gastar em dólar, né Aninha?”)

(minha favorita foi a esposa que contou sobre a regra número um na casa dela: “pode faltar tudo, menos a babá”.)

“E o humor?”, pergunta o jornalista.

  • Ahh, um deles ficou irritado e depois carente!
  • Um entrava em casa falando no telefone sem parar, não esgotava o assunto!
  • Apenas um deles evitava o assunto [o que deixou todas as outras morrendo de inveja desta sortuda namorada!]

Há um trecho da reportagem incompreensível por esta humilde moça que vos digita. Talvez porque eu não seja classe A, mas enfim. Vou transcrever aqui.

FOLHA - Mas hoje ainda existe esse negócio de conquistar o primeiro milhão?
MARIANA
- Ôpa! A coisa mais comum nesse meio é ouvir: "Como assim, você vai ter um filho antes de fazer o primeiro milhão de dólares?".
FERNANDA - [Séria] É uma ideia muito idiota!
AS OUTRAS - É, mas existe!
MARIANA - Eles falam sério! Te chamam de irresponsável.

FOLHA - E eles têm esse dinheiro?
MARIANA
- Têm...têm, têm.
FERNANDA - Mas quem inventou isso? Você faz parte de qual porcentagem do PIB nacional?
MARIANA E ANA - Não, Fernanda, isso é conversa de roda no mercado financeiro.
LYNA JENNER- É papo de menino. É o equivalente a: "Como você não tem uma enfermeira, só uma babá?".

Aaaaai aaaaai…. Na boa? Tenho QI demais pr’essas coisas.

Em seguida elas discutem o carro dos seus parceiros. Um tem um Land Rover, outro um BMW, outro um jipe…

Depois a reportagem questiona: “Fora ganhar dinheiro, do que os rapazes gostam?” e por aí vai. Como se vê, o próprio jornal não colabora para diminuir a debilidade das respostas…………

Mas prossigamos com a leitura. Na altura do campeonato é irresistível ler essas declarações escabrosamente inúteis!

Uma delas contou que o namorado só falava assim: “Você não sabe como eu tô pobre!” Aí o repórter, que não é burro nem nada, taca álcool na fogueira:

FOLHA - O.k., mas como foi então que ele sentiu a perda de dinheiro?
FERNANDA
- Ele dizia: "Você não sabe como eu tô pobre!". Eu o animava. Outro dia fomos comer num japonês que é mais carinho e vivia lotado, estava vazio. Mas a gente tava lá.

Olha que comovente!! Para animar o cara que tá se achando pobre agora, os dois foram comer num japonês caro! Senhorrrr… Eu se fosse ele engatava a segunda e perguntava: “E quem pagou essa conta?”

Aliás, qual é a participação dessas desmioladas mulheres no orçamento da casa? (ou, no caso das namoradas, no orçamento dos dates?)  Será que as mocinhas sacam do seu cartão de crédito para pagar as contas?? Ou dependem do macho?? Aliás, o ponto todo da matéria é aquele pré-conceitozinho velado de supor que as mulheres dependem do homem pra dinheiro e portanto sofrem a crise por tabela. Ora, ora…

Se elas trabalham FORA do mercado financeiro, estão estabilizadas em suas carreiras e NÃO dependem do dinheiro do marido para alavancar suas ambições profissionais, a crise ainda não necessariamente é um problema para as finanças delas. Mas você viu alguém ali responder “por enquanto está tudo ok, meu trabalho está indo bem então eu dou uma força ao meu marido/namorado”?? Pois é.

[Ahh, e não preciso nem entrar no mérito de como o foco da reportagem NÃO era mostrar mulheres independentes né.]

Então vem a questão dos problemas sexuais e das amantes. O troço é tão surreal que transcrevo aqui:

FOLHA - Os especialistas dizem que é comum haver problema sexual em homens que enfrentam crises.
TODAS
- Siiiiim [mas ninguém diz que aconteceu consigo].
LYNA - Eu estava de resguardo.
ANA - Eu só vejo o Cris no fim de semana, então não mudou.

FOLHA - Uma amante faz parte do arsenal de status do investidor?
FERNANDA
- Claro, de todos.
ANA - Eu não penso nisso.
MARIANA - Não é coisa de investidor, é de homem.

Fico pensando a cara deles quando leram isso.

Aí eu quase caí pra trás com o seguinte trecho:

FOLHA - Recentemente, entrevistei um psicanalista que acredita que os investidores escolhem suas mulheres pensando mais em fazer uma dupla social boa do que no amor.
MARIANA
- Rola isso, sim. É até feio falar, mas a ex-namorada do Marcelo era uma "baianinha". Tenho certeza de que o fato de eu ter morado no mundo inteiro, falar línguas, conhecer pessoas o levou a pensar: "Vou ficar com esse fim de mundo [a "baianinha"] ou fazer essa troca?". E me escolheu.
ANA - O Cris tem pavor de mulher feia. Gorda? Não pode ver.

Eu sou defensora suprema da teoria de que amor sozinho não se sustenta (é preciso o mínimo de afinidade mental, etc. etc., leia aqui) e sei bem que mulher só quer saber de status (leia aqui). Mas NUNCA imaginei que alguém seria capaz de soltar tamanho petardo ao responder uma pergunta assim *em público*. Tô pra ver alguém mais cold-hearted bitch que essa daí! A mulher foi na jugular, imagino a cara dessa ex ao ler isso. E o marido?? Acho que ele está escondido no box do banheiro de mármore dele até hoje!

Quanto a esse Cris-odeio-gorda só digo uma coisa: Ana-magra, minha filha, pule fora o mais rápido possível!!!!

Por fim, o repórter tentou arrancar alguma opinião sensata dessas vaginas mocinhas de ouro ambulantes:

FOLHA - Como enfrentar a crise?
MARIANA
- Quando a gente pensava em abrir um vinho de preço exorbitante, o Marcelo dizia: "Não vamos abrir esse, não. Vai que a gente precise vender...".
Todas riem muito.
ANA - É cada coisa louca. A gente ficava imaginando vender o carro e ter que andar num "Unozinho", sei lá, vender a casa, sabe quando você começa a pensar? Vender a mãe pra recuperar o que eu perdi e investir...

Oh, céus! Me poupem, senhorrrr! Vocês não têm mais nada a declarar?? Jura??

Tô de saco cheio de ver mulher retratada assim em reportagens debiloides. E é isso que enfraquece o nosso lado, sabia? Meia dúzia de futeizinhas arrasa com a credibilidade que nós, mulheres fortes, trabalhadoras e com neurônio demoramos anos e anos para conquistar.

É verdade que a culpa não é exatamente do jornal – eles só tripudiaram pra tentar criar alguma polêmica e ganhar leitores por alguns minutos. Mas sabe o que é o mais deprimente? A coluna foi publicada no domingo, hoje é terça e não há sequer uma mísera carta de leitor protestando. Então fica aqui registrada a minha indignação solitária.

Marina teme que o repórter entreviste os poodles das dondocas
e arranque deles declarações mais instigantes.

 
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