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05-11-2009

Solidão no trabalho

Estamos num turning point no trabalho. O volume de produção está aumentando e os prazos, encurtando. E, afora minha chefe, *euzinha* sou a única funcionária da produção.

Agora veja bem. UMA. PESSOA. SÓ. COORDENANDO. TUDO. Quantos livros você acha que eu, sozinha, consigo fazer por mês? (você se surpreenderia com a resposta, porque eu sou FODA. Na boa. Capricorniana, sabe como é ;)

E como posso coordenar o próprio trabalho? Teoricamente é até possível (6 anos and counting!), mas não a troco de aumentar a produção. Com a produção pequena, SEM aumentar de volume, até dá. Mas como a empresa vai crescer?

A coisa acontecia surpreendentemente bem – até minha chefe se perder. Era uma parceria, éramos duas. Agora ela simplesmente não me ajuda mais, e até está ATRAPALHANDO o meu trabalho. O que antes era sintonia entre duas pessoas trabalhando JUNTAS virou falta de noção dela somada ao meu desespero em fazer com que as coisas aconteçam apesar dela. As coisas que ela tem que fazer, faz errado. Quando saí de férias esse ano a coisa bateu recordes. Passei os 30 dias seguintes só consertando merda alheia.

Arrisco a dizer que talvez eu não precise tanto de uma estagiária quanto ela precise de uma secretária! Sério, alguém precisa controlar e organizar aqueles emails, que se perdem e se acumulam, e eu fico passando um tempo absurdo deletando as mensagens repetidas que ela me manda achando que não tinha me mandado. Ou repassando mensagens importantes duas, três vezes, porque ela “não acha nada” na sua Inbox. Ou refazendo coisas que ela mandou desfazer na semana anterior (e que vai mandar refazer semana que vem).

Quem sabe é hora d’eu ser promovida, e caguei pra quem tá lendo me achar pedante. Porra, é fato. Eu preciso tomar as rédeas da mão dela URGENTEMENTE. No melhor estilo Dilbert, ela precisa fazer o mínimo possível, enquanto eu ponho as coisas para funcionar. Agora, acontece que… para isso… tcha-ran!! É preciso mais uma (ou duas, se quisermos realmente crescer com a produção!) pessoas abaixo de mim.

Tenham em mente que eu ADORO o que eu faço. Não me importo de grampear folhas, anotar notas fiscais, imprimir formulário, abrir pastas… mas eu preciso de TEMPO pra isso. E preciso que, enquanto eu gasto horas com tarefas bobas, ALGUÉM FAÇA A SUA PARTE. ALGUÉM COORDENANDO E ME AJUDANDO A TOCAR A PRODUÇÃO. Do jeito que está é inviável.

Sozinha + pressa = desastre, na certa!

Por isso que eu, hoje, me recusei a ficar responsável por MAIS uma coisa da produção. É *mais uma* tarefa que ela vai me delegar? Até quando? Eu poderia fazer? Decerto que sim, mas em detrimento de alguma outra coisa, néam!  Tô de saco cheio de trabalhar sem apoio, sem alguém que eu possa chamar de “parceira”. E não vou mais acumular tarefa sem aumento no salário, na boa.

Eu gosto muito da minha chefe. Juro. Trabalho com ela há anos e se depender de mim trabalho a vida inteira. Só que ela está losing it. Sua falta de controle da produção está afetando toda a cadeia de trabalho abaixo dela. Se ela está enrolada, sentindo acúmulo de tarefas, beleza – me passe o serviço E CONTRATE ALGUÉM PARA PEGAR O MEU.

O que não pode é ficar nesse descontrole, nessa loucura de atropelar prazos e custos, de passar a mão na cabeça imbecil de certos autores, de esquecer o que se discretamente pede para ela fazer (pois é! ainda mais isso! Chegou no ponto da gente aqui ter que dar ordens, porque ela se esquece, perde coisas, etc.), enfim. A lista é longa.

Mas, mais importante que tudo isso, é preciso alguém dando apoio à produção. Alguém pra ajudar a deixar tudo perfeito. Alguém para SOMAR.

Se você não pode ser essa pessoa, querida chefe, contrate alguém. POR FAVOR.

06-08-2009

Futuras estagiárias, aprendam!

O dia de hoje me inspirou (caham!) a vociferar algumas regrinhas do meu trabalho. Sem mais delongas (porque tô de saco cheio), aí vão. Coisas a NÃO fazer, ever:

1. Mania de mandar PDF pra autor ANTES de entrar na reta final. SEMPRE acaba dando merda porque autor não sabe olhar PDF, não presta atencão no que está fazendo e manda email falando: “corrigir a frase para “xyz”“, “retirar figura” mas não diz ONDE CARALHOS ESTÁ A FRASE/FIGURA. Sem contar que se PDF repaginar, all hell breaks loose.

2. PDF tem que OLHAR. É um pesadelo. Neguinho acha que é só rolar o mouse e pronto. Não, PORRA. Tem ver tudo com ATENÇÃO e cotejar com a prova de papel e/ ou correções via email. Se não olhar correções finais e algo passar, babau. Já era.

3. Mania de não ler e-mails. Isso é patológico. As pessoas NÃO LEEM a porra do email, ficam encaminhando do autor pro bureau e do bureau pro autor, quando a supervisão disso tudo tem que passar pela produção e, claro, COM VOCÊ TENDO NOÇÃO DO QUE FAZ. E mais não digo.

4. Atender a caprichos de autores SEMPRE dá merda. A produção editorial, salvo RARÍSSIMAS exceções, não pode se adequar às manias e frescuras alheias. Autor tem que seguir nossas orientações, por motivos óbvios: a) quem sabe fazer livro somos nós; e b) nós não trabalhamos SÓ com o livro dele. O cínico de plantão pode me acusar de só querer facilitar a minha vida, mas NA BOA… o livro vai sair mais rápido quando EU fizer tudo rápido, ou quando o autor meter o bedelho no que não entende e me atrasar?

5. Perguntar ao autor o que ele “prefere” fazer = MERDANÇA. Autor (especialmente se nunca escreveu livro) não tem como PREFERIR algo, certo? Não sabe como é o esquema de produção! Ele tem que se ADEQUAR aos nossos padrões, e portanto NOS OBEDECER. Oras.

6. Não ouvir o que eu falo. (Ok, soa pedante? FODA-SE. Quem é que tá com o extintor de incêndio na mão JUSTAMENTE PORQUE NÃO ME OUVIRAM E NÃO FIZERAM O QUE EU FALEI? Ahá!)

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27-04-2009

Quando a vaidade castiga

Hoje eu tive uma troca de emails HILÁRIA com uma tradutora/organizadora/revisora/whatever de um livro. Vou republicar alguns trechos imperdíveis aqui. Alterei algumas coisas para não rolar ainda mais encrenca, e essas mudanças estão em itálico. O resto é tudo verdade, juro.

Antes, um pequeno prelúdio de como tudo começou: a mulher reclama que seu nome não aparece na ficha catalográfica do livro. Acontece que aparece, sim, logo na linha 2. O que ela não se conforma é que o nome de outras pessoas aparecem mais vezes que o dela. Hmmm...!

Acontece que ficha catalográfica a gente não inventa – eu solicito a pessoas especializadas, que a produzem de forma a seguir um padrão, até onde eu sei, universal. Então eu não posso simplesmente inserir coisas ali da minha cabeça; há todo um critério.

Então, muito polidamente, respondi:

De: Tia Má
Enviada em: segunda-feira, 27 de abril de 2009
Para: Fulana de Tal; minha chefe
Cc: chefe da fulana
Assunto: Re:  alterações

Oi, Fulana,

Sobre a ficha: ela é gerada pela XXX seguindo as regras e critérios internacionais de catalogação e não podemos alterá-la.

O que eu posso fazer é tentar solicitar tais alterações junto a eles numa possível segunda edição, mas não posso garantir, ok?

Agradeço a compreensão,

Tia Má

-----------

Ok, provavelmente o “não posso garantir” a enfureceu. Ok, eu posso ter sido a responsável pela explosão divertidíssima de ego do email seguinte, mas c’mon! É verdade! Não posso garantir que a catalogação coloque o nome dela onde ela quer! Esse é um dos poucos espaços do livro onde não se mexe. Sorry!

Então vejamos a pérola IMPERDÍVEL que eu tenho aqui na minha caixa postal.

----- Original Message -----

From: Fulana, colérica

To: Euzinha + minha chefe

Cc: Chefe dela

Sent: Monday, April 27, 2009

Subject:

Gostaria de saber o motivo de meu nome não ter constado na ficha, e peço que de fato seja corrigida e garantida a inserção de meu nome. A ficha é importantíssima e a pessoa principal desta tradução fui eu, pois selecionei a equipe, gerenciei a tradução (até demiti um integrante que não estava apresentando qualidade no seu trabalho), revi 3 vezes cada trabalho, traduzi várias partes do livro e traduzi as partes relacionadas a uma Dilbertice inútil aí do mundo dos negócios para atualizar o livro.

Não compreendo essa não inserção de meu nome e peço que se faça a correção urgente seguindo todos os critérios e destacando meu papel que foi fundamental neste livro como tradutora, revisora, coordenadora.

Att,

---------------

Como se vê, por pura dissonância cognitiva ela surta exigindo o nome dela na ficha. (o nome *está* na porra da ficha. Fato. Linha 2, caralho.)

Este email é espantoso. Em oito anos de trabalho nunca vi ninguém ficar de tanta mesquinharia por causa de um nome na ficha que “só” aparece uma vez.

Percebeu quanta mágoa no coraçãozinho e quanta reclamação sobre o “esforço” que foi o seu trabalho? (Pra constar: não é a primeira vez que ela cria encrenca com créditos. Num outro livro ela exigiu que a fonte MAIOR fosse no nome dela, e não no nome do autor principal, o chefe dela. Foi quase que o mesmo email que vocês leram aí em cima)

Ou seja, é óbvio que temos um problema pessoal GRAVE aí rolando com ela. Insegurança? Vaidade? Divórcio?

Tanto que eu nem estou morrendo de raiva (como quando aconteceu isso aqui.) Estou é com pena dela. Ela deve se esfalfar no trabalho e não ter uma promoção há tempos. Deve se matar com cursos, MBAs e doutorados para nada. Está na cara que ela precisa de reconhecimento alheio para se validar. Que ela provavelmente não acha que recebe este reconhecimento do chefe (que vem a ser o – caham! – autor original do livro). Que ela possivelmente abriu mão de uma série de coisas para se dedicar à carreira (filhos, marido etc?) e que ela é claramente ressentida com ele por isso.

Então podemos facilmente especular…. Que ela provavelmente passou o fim de semana sozinha, comendo pipoca e vendo o Telecine, enquanto a irmã mais nova faz o enxoval do seu segundo bebê. Que ela desligou o telefone para não ter que atender a mãe com suas lamentações e/ ou indiretas pra cima dela, a mãe que não faz ideia das conquistas profissionais dela.

Que, enfim, ela passou o domingo inteiro procurando erros no livro para, quando chegasse segunda-feira,  “mostrar serviço” ao chefe – e, claro, indiretamente tentar provar o seu valor mandando toda essa fúria com cópia para o próprio.

É triste, até porque eu sei por alto a opinião dele sobre o trabalho dela. E mais não digo.

Mas continuando, como minha chefe viu o email e pediu que eu a avisasse de que “o nome está lá sim, vai ver ela não percebeu”, tive que responder. De novo. Aiai.

De: Tia Má
Enviada em: segunda-feira, 27 de abril de 2009
Para: Fulana, minha chefe
Cc: chefe dela
Assunto: Re:

Cara Fulana,

Seu nome consta na ficha. É o primeiro nome após os autores, aliás.

Só não sei te dizer se o destaque que você quer cabe no critério seguido pela XXX. Não posso impor algo ao padrão internacional que eles seguem.

Pode ter certeza que enviei todos os dados e créditos, incluindo imagem de capa e folha de rosto com seu nome etc. Infelizmente não posso alterá-la, pois ela segue uma regra.

Quando da próxima edição, verificarei junto à entidade o que pode ser feito, ok? Só não garanto que eles concordem.

Agradeço a compreensão,

--------------

Depois disso ela gritou pela minha chefe, que ela se manifestasse, minha chefe me disse que ia ficar quieta, depois veio mais um email extremamente grosseiro e claramente vindo de alguém fora de si “tentando me explicar” exatamente onde eram as modificações que ela queria. Ah, sim, porque ela agora é a grande rainha soberana da catalogação de livros. Claaaaro. Onde mesmo está a explicação de que eu não posso alterar a ficha? No email anterior?? Pois é.

----- Original Message 3 -----

From: Fulana fora de si

Sent: Monday, April 27, 2009

Subject: RES:

Observe atentamente a nota que segue abaixo, conforme email que enviei anteriormente. Explicarei melhor:

  1. (…)

Ou então, explique o significado deste “;”.

  1. Falta incluir meu nome na ficha, na parte: “1. Assunto do livro… + série de tecnicalidades ”.

Ou então, explique o motivo pelo qual não incluiu nesta parte.

Att,

-----------

Cuma? “me explique então por que este ponto-e-vírgula está fora do lugar e por que você não incluiu meu nome 3 vezes”???? Ahh, vai, não tô podendo… explicar pela TERCEIRA VEZ que eu não tenho nada a ver com isso, e que é preciso respeitar o critério da ficha??

Depois dessa, só pude rir e responder:

----- Original Message -----

From: Tia Má

Subject: Re:

Fulana, sinto muito, mas não sou eu que faço a ficha. E eu não posso alterá-la só porque você quer. Por favor entenda.

Vou encaminhar seu email à entidade responsável quando da segunda edição do seu livro, ok?

---------------

(o que vai fazer de mim uma perfeita idiota, encaminhando mensagem malcriada de autor para a catalogação! Veja se tem cabimento uma coisa dessas…! Tsc.

Não, sério… o quão lamentável sou eu tendo que escrever aquele primeiro parágrafo para uma pessoa ADULTA e supostamente alfabetizada?? Tsc²)

*****

Depois de muito investigar e consultar outras publicações etc., acabei descobrindo o que aconteceu: como quis que seu nome tivesse destaque sobre os “outros” tradutores, como numa hierarquia (primeiro ela, depois os outros), ela exigiu aparecer como coordenadora e revisora da tradução”.

Só que….

Quem revisa e coordena não aparece com tanto destaque numa ficha quanto quem traduz. Quem revisa e coordena não é tão importante para a catalogação. Os tradutores são muito mais creditados, por padrão. Ou seja, ela basicamente leva quase que o mesmo crédito que eu – NENHUM!

Então, por pura vaidade, a nossa Fulana ganhou MENOS destaque na ficha.

Eu precisava deixar isso registrado para o mundo. Não só para mostrar como a vaidade destrói o mente de uma pessoa, mas como foi irônico ver, neste curioso caso do mundo da catalogação, os “subalternos” serem os mais importantes.

04-03-2009

Respostas que eu gostaria de ter dado a certos e-mails weasels

Hoje eu tive um dia horrível no trabalho. Isso porque - entre outras coisas - meu e-mail apitava de 5 em 5 minutos com as mensagens mais estapafúrdias que você pode imaginar (ok, sempre é possível imaginar pior). Eu cheia de serviço e aquela porcaria tomando o meu precioso tempo.

São mensagens que eu perco um tempo absurdo lendo - e ignorando. Ahh, a arte de ignorar e-emails.... É um dom a se cultivar, porque se eu fosse respondê-los ia ser algo como o que segue:

  1. "Se você vai me mandar um e-mail com material só na sexta, POR QUE ENVIAR UM AGORA ME AVISANDO ISSO??"
  2. "Se você vai me ligar,POR QUE ENVIAR UM EMAIL AT ALL??"(o inverso também vale - PRA QUÊ MANDAR E-MAIL SE VOCÊ VAI ME LIGAR DEPOIS?? Siga lendo)
  3. "Estou respondendo o seu e-mail. POR FAVOR NÃO ME LIGUE DE VOLTA CONFIRMANDO O RECEBIMENTO DESTA MENSAGEM" (isso acontece tanto, mas taaaaanto.....! ¬¬)
  4. "Se você pede que eu confirme o recebimento do contrato pelo correio, por que TODO DIA ME MANDA MENSAGEM PERGUNTANDO SE EU RECEBI??? SE EU NÃO RESPONDI É PORQUE AINDA NÃO CHEGOU!"
  5. "Piadinhas e gracinhas comigo via email? P-lease! Se toca, meu filho!" (Ser simpático é uma coisa, O QUE NÃO PODE É SER ARROZ NUM E-MAIL PROFISSIONAL. Inviável, deplorável - e nojentinho, vai)
  6. "Idiota. Não é capaz de organizar o próprio Outlook e espera que eu facilite a sua vida reenviando coisas eternamente?? NEM FUDENDO." (traduzindo: Eu mando coisas para Fulano. Fulano, perdido no próprio Outlook, me pede para reenviar a mensagem, achando que eu provavelmente sou um bot à disposição de gente como ele, imbecil e preguiçosa, que em vez de se esforçar um pouquinho mais para fazer o seu trabalho, prefere perturbar os outros. YEAH, RIGHT. Este é o caso em que eu mais sinto prazer não respondendo, pois aplico o chamado "Wally reflector": quando alguém quer te empurrar trabalho só para ela mesma trabalhar menos, faça com que a vida dessa pessoa seja um inferno - Veja mais aqui)
  7. "A dondoca está dando chilique por quê? Dormiu mal esta noite? Pois volte a entrar em contato somente quando o lado útil do seu cérebro estiver funcionando. Grata. Ah, e antes que eu me esqueça, VÁ À MERDA, SUA VACA ESTÚPIDA E  MAL-EDUCADA!" (E-mails de autores aos faniquitos são altamente improdutivos. Como não posso respondê-los à altura - apesar de merecerem!! -, só me resta tratar do livro em questão com má vontade atééé o final da produção. Sabe aquele jeitinho que eu poderia dar numa determinada situação? Sabe aquela ajudinha lá com a gráfica / designer / chefe / etc? Not... gonna... happen! lalala! Pois é, adivinha quem é a última pessoa que eles deveriam querer irritar neste momento? *wink wink*)

As pessoas não entendem a ferramenta que têm em mãos. Não vou me alongar teorizando sobre o assunto porque meu objetivo aqui foi listar a quantidade de inutilidades que pode cair na minha caixa postal ao longo de um dia.

Deixo aqui um único e valioso conselho: antes de apertar o "Send / Enviar", olhe bem para a mensagem a sua frente e se pergunte: "Preciso MESMO mandar isso?"

A resposta provavelmente é não, so shut the hell up.

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15-09-2008

Como eu odeio o meu trabalho nesse exato segundo

Então estou tendo um PÉSSIMO dia no trabalho e resolvi parar um pouco para desestressar. Fazendo o quê? Estrebuchando aqui no meu site, claro!

Odeio, odeio, ODEIO, O-D-E-I-O este autor iletrado e seu livro estúpido e mal feito que passei a maior parte do dia transformando em algo legível. ODEIO esse IMBECIL.

Sério, acreditem: existem autores que são verdadeiros analfabetos funcionais. Não sabem escrever uma mera sentença com lógica e cujo - ohmygod! -  corretor ortográfico do Word passou longe. Sem contar que é ÓBVIO que ele não releu a porcaria que escreveu, senão não sairia algo tão PORCO assim. *argh*

Se essa MERDA desse livro vender 15 exemplares, vai ser por méritos MEUS, assim espero, pois passei HORAS e HORAS corrigindo esse cocô literário. Se ele chegar ao mercado com 80% das suas páginas sem erros já vou agradecer aos céus, porque é difícil demais conseguir corrigir tudo quando o material é um LIXO.

Eu estou TÃO, mas TÃO irritada porque esse ZERO À ESQUERDA não pára de escrever livros. É ASSUSTADOR. E exasperante. Mais assustador e exasperante ainda sou eu aqui fazendo com que ele se torne algo comprável. Which sucks, porque ele vai achar que pode escrever MAIS livros, e a editora fica achando que o autor vende bem e investe (!!) nele. It's a neverending nightmare!

Só não sento aqui e choro compulsivamente enquanto rasgo a prova de papel porque:

1. O apoio moral do namorado me fez rir um pouco no fim da tarde;
2. Coletar os erros do cara virou hobby.

Twittei algumas das pérolas e agora vou compilar tudo aqui para descarregar minha raiva.

Dêem uma olhada...
  • Ao ensinar a redigir uma carta, ele começa:"Pesado cliente,..."
  • Ao ensinar a usar uma planilha, ele pede para você "clicar na celular A1"
  • Cerca de 65% do livro, sem exagero, contém a expressão: "Pressione <ENTER> no teclado", o que me faz perguntar, com aquele jeito meeeeigo que só eu tenho: TEM TECLA ENTER EM ALGUM OUTRO LUGAR POR ACASO, FILHO?? SEU MOUSE TEM TECLA ENTER? MONITOR TEM TECLA ENTER?? CAIXA DE SOM TEM TECLA ENTER??? I DIDN'T THINK SO!
  • Às vezes ele se sente criativo e escreve "Digite ENTER no teclado", o que me faz revirar loucamente aqui (será por isso que a minha outra cadeira quebrou?). Alô, som, você não DIGITA uma tecla, você PRESSIONA. Are we clear? (não preciso entrar de novo na questão do teclado ser o único periférico com teclas, néam!)
  • Ele usa "onde" como conectivo para TUDO, inclusive para pausar um raciocínio e começar outro, ou seja, não sabe que existe um sinal gráfico chamado ponto  final (.) que pode ser usado para essas coisas. Não, ele não usa pontos, ele usa "onde". So-cor-ro. (Parágrafo, então... já viram né!)
  • Vírgula? Pra quê?
  • Sinônimos não fazem parte do mundo deste autor. Portanto ele usa a mesma palavra  VÁRIAS VEZES na mesma sentença. Isso significa coisas como "Esta ferramenta facilita sua vida, onde facilita o uso do programa, onde proporciona rapidez e outras facilidades". (sacaram a overdose de "onde"?)
Eu definitivamente mereço cada centavo (and then some!) do meu aumento de salário, cara. Na boa...


Marina sonha com o dia em que nunca mais precisará fazer um contrato de novo """livro""" para esse infeliz.
25-06-2008

Decida-se ainda hoje!



Uma das vantagens de não ser chefe é não ter tanto poder de decisão. Se você tiver juízo, obedece às ordens dadas e pronto. Isso de certa forma é reconfortante pois, apesar de não tirar toda a sua responsabilidade pelo trabalho executado, você tem uma vaga idéia de estar fazendo a coisa certa (afinal te instruíram para tal). Sem contar que uma das funções de chefia, acredito eu, é servir de guia para os seus subalternos, orientando-os a fazer o melhor trabalho possível de acordo com o que for decidido.

Mas e se o seu chefe não consegue decidir?? E ele for INCAPAZ de te dar uma ordem antes da merda voar no ventilador, como é que você faz??

Eu estou com esse problema atualmente. Minha chefe não consegue decidir. Ela simplesmente não resolve certos dilemas sem o uso da famosa técnica da procrastinação. Nada é feito até chegar muito-muito-muito perto de ter que resolver tudo à força.

Só que isso me dá MUITA agonia. Não tenho problemas em decidir na hora H - muito pelo contrário, sou apagadora de incêndios oficial, já perceberam né ¬¬ -, mas tem um detalhezinho: DETESTO correr. ODEIO trabalhar na base da pressa - e, para quem não sabe, o que faço é ler e escrever oito horas por dia. Ou seja... preciso ter calma e máxima atenção. Trabalho corrido e estabanado - especialmente REVISÃO e copy! - é sinônimo de desastre à frente.

Então, já prevendo auê e stress antes de determinado livro entrar em produção, e querendo preveni-los, eu corro pra chefe pra perguntar o que fazer. E isso eu só faço quando:

  • a) eu sei que há uma certa pressa no livro, mas algum dilema me impede de correr com ele. Então a palavra final para resolver isso tem que vir de cima, não de mim;
  • b) o autor está me causando probleminhas e nos atrasando, então é hora de meter a chefe no meio;
  • c) me são passadas inúmeras "prioridades", o que acaba soando extremamente (e perigosamente!) vago. Ter muitas prioridades não significa nada se eu não receber uma rigorosa ordem de como encaminhar os originais (o que entra primeiro, em segundo, em terceiro....)

Este último item é o mais interessante. Quando eu vejo que passam-se semanas com o povo me entregando materiais e falando de cada um que é "muito importante e nossa prioridade" eu quase esfrego as mãos de satisfação, pois sei que vou passar divertidos minutos na sala da minha chefe tentando tirar dela uma ordem OBJETIVA e DECISIVA sobre o que entra primeiro, em segundo, em terceiro.... Chega a ser engraçado, queria que filmassem.

"Ok, chefe, qual que eu ponho PRIMEIRO em produção?"

"Ahn... olha... esse é importante... mas esse aqui também é muito importante... esse aqui eles querem pra 45 dias... esse temos venda casada, muuuuito importante... esse aqui também é muuuito interessante de lançarmos agora... ih, esse aqui também... pronto, são esses 5, Marina!"

"O...k... mas qual eu ponho PRIMEIRO em produção?"

"Humm.... é... ahh todos são importantes, você vê lá o que pode fazer...."

[ALERTA! Tática 'empurramento com a barriga' sendo usada!!! ALERTA! Neste momento eu torço para o telefone NÃO tocar, senão ferrou]

"Ué, eu posso decidir? Ok, então... vou botar o 'x' primeiro..."

"Não, não, mas e o 'y'? E o de venda casada? Tem também esse..."

[HA!]

"Então é o 'y' primeiro?"

"Não, não... põe o 'z' então... é... põe isso, põe o 'z'..."

"Ok, Z então... e depois?"

E assim segue por uns 30/40 minutos. Mas eu tento não sair da sala dela até ter um ranking OBJETIVO de prioridades. É quase um parto isso, e muitas vezes ela me passa uma coisa num dia e 3 dias depois muda tudo.

O que aparentemente minha chefe não compreende é que preciso de orientação para me planejar e organizar a editoração e as revisoras. Para ver quem eu vou mandar correr com o tal livro e quem vou mandar um "take it easy". Não posso dar ordens vagas, pois senão cada um vai inventar a sua prioridade e tudo sairá do nosso controle.

Neste exato momento há um livro "crítico". Deixei a revisora mais rápida em prontidão mas precisei perguntar pra minha chefe o que fazer: "mando paginar ou espero a prova impressa da autora?"

Simples, não?

Pois tive que pressioná-la e repetir a pergunta TRÊS VEZES para ter certeza do que ela me mandou fazer. Primeiro falou: "a autora achou que não precisava mandar a prova"  (ok, mas isso não responde a pergunta...)

"Então mando paginar? Ou ela vai mandar a prova impressa?"

 "ai, manda! Mas espera a prova!"

[ok, isso foram DUAS respostas contraditórias......]

"Então eu faço o quê, afinal??"

"Espera! Espera a prova!"

[UFFFF!!!!]

Já trabalhou com alguém assim? E, pior, já obedeceu a um chefe assim?? Numa conversa de 5 minutos consigo receber várias respostas conflitantes entre si, isso quando o assunto não é desviado....

Para eu mesma decidir as minhas prioridades é fácil. E questão de necessidade. Eu PRECISO trabalhar com calma. NÃO posso perder tempo me descontrolando e fazendo tudo de uma vez só, porque senão nada vai sair direito. Acabo resolvendo o que fazer primeiro sem ninguém saber e no fim das contas fica por isso mesmo - pois é, desisti de perguntar anos atrás, pois não obtinha resposta. Então tive que meter o pé na porta, caso contrário eu estaria um surto só, com trabalhos se acumulando, e querendo pular da janela (hmmm, acho que descobri por que nenhuma estagiária sossegou por aqui quando me mudei........)

Eu aprendi a decidir esse tipo de coisa na mão, não teve jeito. Errando e acertando esses anos todos. Digamos que 70% da "pré-produção" editorial já sou eu que resolvo à força, porque não aguento ficar esperando.

Eu adoro a minha chefe, mas para o meu próprio bem minha meta é diminuir o máximo possível o seu poder de decisão. 'Cês conhecem o mandamento-dilbert #1 né? Quanto menos o chefe se meter, melhor.
Um dia eu chego lá.
04-06-2008

Vivendo perigosamente num escritório

Se você acha que só porque meu emprego é um típico 9-to-5 o dia de trabalho é um tédio de tão seguro, está enganadíssimo.

Olha só quanta coisa perigosa acontece comigo O TEMPO INTEIRO:

  • Blusa/braço/dedos/mãos/casacos rabiscados com caneta. É IMPRESSIONANTE a minha capacidade de me sujar enquanto trabalho na mesa corrigindo / editando / fazendo copy em provas de papel. Não tem um dia em que eu não saia do trabalho rabiscada. Não sei qual é o meu problema, mas putzgrila, é TODA HORA... vuush!, risco vermelho na palma da mão; vuush!, caneta azul na camisa branca limpinha; vuush! um rabiscão no braço direito. Teve uma vez que consegui rabiscar a própria testa (don't ask!)
  • Cortes semi-profundos nas mãos. Não se engane, papel é uma arma!!! Na minha mesa circulam quilos e quilos de papel todo mês e às vezes as provas são terrivelmente assassinas e afiadas. Corte causado por papel é das piores coisas do mundo, porque é fino, sangra abundantemente e dói MUITO. MUITO. Quase toda semana me corto, incrível.
  • Choques ao ligar a caixa de som do meu micro. Isso foi um mistério pra mim ao longo dos anos, mas recentemente descobri que o problema era o microfone que ficava na frente da caixa. (?) Sumi com o bicho e agora não sofro mais!
  • Tropeções. O fio do telefone fica NA MINHA FRENTE. É estúpido. Toda vez que tenho que levantar da minha cadeira, lá está ele me olhando. E torcendo para que eu me distraia (o que não é lá muito, humm, difícil...). A sorte é que existem dois armários no caminho, então raramente caio – me seguro na estante de livros antes disso. Outro tropeção clássico é lá no estoque. Já perdi a conta das topadas que dou na madeira que serve de suporte para os livros que chegam da gráfica. Trabalho há pelo menos 3/4 anos com o estoque configurado desta maneira: mesão + madeira na frente. E há pelo menos 3/4 anos eu me aproximo da mesa sem lembrar da &*#$% da madeira ali na frente. *gah*
  • Prender os dedos no arquivão. Então eu tenho dois armários com lugar para pastas suspensas. Então às vezes tenho que abri-los - e, pior, fechá-los. Então.... já viu, né. Em 45% das vezes meu dedo fica.
  • Intoxicação via heliográfica. Traduzindo: esta é a última prova do livro. Vem da gráfica, toda montadinha e encadernada, para checarmos se está tudo devidamente no seu lugar, se alguma página está faltando, se alguém montou caderno de cabeça para baixo, essas coisas. Essa heliográfica, especialmente as de gráficas mais antigas, tem um cheiro fortíssimo. Não sei exatamente o que é (amônia talvez?), mas dá pra ficar doidona numa boa – especialmente se é um calhamaço de 500 páginas que você tem que aprovar em 30 minutos. De uns meses para cá a coisa vem melhorando, e algumas helios podem vir montadas com papel e cola. Aí eu fico doidona de cola... o que eu prefiro, pois não me dá acessos de espirro.
  • Arranhões nos dedos. Usar durex era uma aventura, não tinha como NÃO sair machucada. Meu antigo porta-durex cortava a fita adesiva *e* o meu dedo junto. S-E-M-P-R-E. Eu ficava com o dedão escalavrado, todo arrebentado, e inacreditavelmente dessa vez a culpa não era minha! O troço era FREAK, I'm tellin' you. Isso durou até minha chefe testemunhar meu sofrimento ao fechar um simples envelope para ela, quando então ganhei permissão para pedir um novo. Há 10 meses sou feliz portadora de um porta-durex lindamente não-psicopata (por enquanto!).
  • Desgrampear qualquer coisa = furo no canto ou debaixo das unhas. Pois é, tente retirar um grampo se você é completamente desligada, tem unhas pequenas e nenhum controle sobre a sua força. É pedir para se acidentar, especialmente se na hora em que estou ali concentradíssima na tarefa periclitante o telefone toca ou alguém abre a minha porta bruscamente. Dou um salto na cadeira e invariavelmente o grampo sai do papel direto para a minha unha. OUCH!
  • Esbarrões nas mesas. Inevitavelmente tenho marcas roxas em lugares esdrúxulos da minha cintura ou perna por causa disso. Quando saio da sala carregada de provas, toda atolada (não é incomum, kkk), seeeeeempre dou um encontrão na minha mesa. Ou no mesão de reunião. Ou na minha outra mesa. Ou na mesa de mármore pontiaguda da minha chefe (ai!). Eu sei, eu sei, eu devia ser menos estabanada. Mas ainda acho que tem algum duende alterando discretamente a localização das mesas, de forma que eu nunca sei calcular a distância que preciso tomar delas.
13-12-2007

Quinze razões pelas quais às vezes me sinto num cartoon do Dilbert

  1. O autor que não sabe o que é dividir um livro em capítulos (precisei instruí-lo POR TELEFONE. Sério.)
  2. Os autores que exclamam, em choque, "Mas você leu meu livro INTEIRO??! COMO CONSEGUIU??"
  3. O autor que reclama da revisão e manda corrigir de volta pro português ERRADO ("pré-definida" está incorreto, autor. "As cores e o sombreamento" são "adequadOs", autor, e não "adequadAs....". Não há vírgula antes de 'e' quando se enumera, autor. Regência verbal existe e precisa ser seguida, autor... enfim!)
  4. O colaborador que quer seu nominho no Google (já contei essa história aqui)
  5. Os designers-estagiários de merda de uma universidade aê que mudaram o formato de um folder impresso e NÃO avisaram nem nós da produção nem a gráfica
  6. A chefe que compra papel na empresa X e me fala que foi a Y, e então eu mando o gráfica ir buscar na Y
  7. Eu aguardando o ok final no PDF do livro PARA O MESMO DIA, e o gerente-dilbert responsável achando que pode estipular o prazo que quiser para isso (como se eu não tivesse uma deadline com a gráfica, néaammm??)
  8. O autor que fala que gostou de todas as aberturas de capítulo, mas que preferiria que não fosse nenhuma delas (?)
  9. O autor que pede uma capa branca, mas depois reclama que "falta uma cor"
  10. O autor que me liga semanalmente e fala na cara dura: "estou te ligando para encher o seu saco" (sim, isso aconteceu).
  11. O autor que manda a secretária vir conferir a prova no lugar dele, secretária esta que - claro -  é incapaz de responder qualquer coisa além do que o autor a instruiu (é como falar com uma daquelas bonecas de última geração, manja? Não responde a comandos não reconhecidos...)
  12. O autor que pronuncia o nome do próprio livro errado, me deixando numa saia justíssima (ou você acha que eu vou conseguir NÃO corrigi-lo?? *ui*)
  13. O autor que pede pressa e prioridade "urgente urgentíssima" para seu livro mas posterga ao máximo a entrega dos originais achando que a gente só tem UMA obra em produção - a dele, claro! (já bufei sobre isso aqui)
  14. A mocinha do marketing que manda de volta pra mim a tarefa de "divulgar livros em tal livraria", só porque sou eu que forneço dados como ISBN, nº de páginas etc. O que talvez ela não tenha compreendido é que minha tarefa é fornecer tais dados *a ela* JUSTAMENTE PARA QUE ELA DIVULGUE (oh god!). Se for assim, que tal extinguirmos a sua função, humm? Aí eu embolso DOIS salários, êee!
  15. O autor que tem uma idéia "genial" para um livro e, AINDA MESMO SEM ESCREVÊ-LO, CONTRATA ASSESSORIA DE IMPRENSA E SAI DIVULGANDO NOS JORNAIS DE DOMINGO, causando o caos no povo de vendas, que nunca sequer ouviu falar na obra e tem que atender telefonemas desesperados (porque, CLARO, ninguém acha nas livrarias). Se eu disser que ele só entregou os originais 25 DIAS ANTES de uma entrevista marcada na TV vocês acreditam?
19-10-2007

Uma pequena aula revoltada aos meus autores sem-noção

Como estou IRAAADA aqui, preciso esbravejar em algum lugar.

Antes de mais nada....

Caralho, putaquilpariu-ô, vão todos à merda!!! VOCÊS ACHAM QUE EU FAÇO JORNAL??? Que vocês entregam um texto e 15 dias depois ele aparece na página de Tendências/Debates??? Que eu tenho uma equipe de 10 jornalistas trabalhando e e editando e apurando o que eu mando????

QUE EU TENHO UMA GRÁFICA QUE IMPRIME DE MADRUGADA PARA O TROÇO CHEGAR NA SUA CASA CEDINHO DO DIA SEGUINTE?!?!?!

Vão todos pr'aquele lugar!!!! Na boa!!!!!

Não, VOCÊS NÃO PODEM entregar original em meados de outubro para que o livro saia em novembro! NOT DOABLE! Alô, som!!!

E, principalmente, NÃO, VOCÊS NÃO PODEM ENTREGAR O MATERIAL DEPOIS DE FINADOS QUERENDO QUE O LIVRO FIQUE PRONTO PRO DIA 22/11!!!! NOT - FUCKING - DOABLE!!!!

Para o leitor imaginário que não faz idéia do trabalho (E DO TEMPO!!) que leva para fazer um livro, um breve resumo da minha vida profissional nas CNTPs (Condições NORMAIS de Temperatura e Pressão, algo por si só raro):

  1. autor entrega original. Nas CNTPs, SEM NENHUM OUTRO ORIGINAL NA FILA (doubt that!), no dia seguinte segue para paginar.
  2. nas CNTPs, com o bureau à toa (I soooo doubt that!), 4 dias depois fica pronto.
  3. nas CNTPs, sem minhas revisoras atoladas (doubt that, blablabla), 1 dia depois segue para uma delas.
  4. 10 dias de revisão RÁPIDA.
  5. material chega pra mim. Com dúvidas e português bizarro e erros variados. Vamos supor que eu esteja nas minhas CITPs (condições IDEAIS de Temperatura e Pressão), ou seja, sem atulhação de trabalho, sem ter que coordenar 18 livros ao mesmo tempo; por exemplo, vamos imaginar que estou naquela única semana mágica do ano: a anterior ao Carnaval. Pois bem. Supondo minhas CITPs, 3 ou 4 dias na minha mão. Contemos 3, porque eu sou muito foda no que eu faço e eu sei disso (Cof cof! :PPP)
  6. mando para o autor. Partindo do princípio que o autor tem noção e vai ser rápido no gatilho, calculo 3 dias para ele me devolver. Se for do Rio, ele pode vir aqui. Vamos contar 3 dias também, para nos adequarmos à agenda do digníssimo. Ok.
  7. Autor devolve. Eu olho de novo (levo no máximo 30 minutos - nas CNTPs, e sem ser livro bizarro) e mando pro bureau emendar. Conto 4 dias para receber 2ª prova.
  8. Neste meio tempo já temos capa, quarta capa, emendas da capa, correções variadas, brilho (verniz), código de barras, ISBN, ficha etc. Tudo corre paralelo. VAMOS SUPOR QUE BIBLIOTECA NÃO ESTÁ EM GREVE, QUE DESIGNER NÃO PEGOU VIROSE, QUE SITE DA CBL ESTÁ NO AR, E QUE TENHO INTERNET. Sem contratempos, portanto, nada disso atrapalha a produção. Zero dias, então, para efeito CNTPs. (aiai...só rindo...)
  9. Por fim, 2ª prova na mão. Nas CNTPs e sem ser livro bizarro, já vai dar pra fechar nº de páginas, lombada etc. Coisa de 2 dias no máximo. Autor recebe PDF e supondo - SUPONDO - que ele vá olhar em 1 dia, dá seu ok final. Minha chefe olha também. Contemos então 3 dias no total (porque, sim, minha chefe é ainda mais foda do que eu! Cof cof :D).
  10. Vamos supor também que a prova veio limpa, ok, poucas emendas, e não será necessária uma terceira prova. Em 2 dias devolvo ao bureau e ele me manda um PDF. Contemos mais 1 dia para o boy ir lá buscar a prova pra mim.
  11. Eu e minha chefe damos o ok. Então minha chefe cota gráfica, papel, etc. Ok. Supondo que minha chefe está à toa (AHÃ! DOOOUBT THAT!!!), em 3 dias isso é feito - talvez os mesmos 3 dias acima. Mas vamos adicionar aqui 2 dias para efeitos externos, porque nem nas CNTPs cotar é rápido!
  12. Uploads de capa e miolo são feitos em seguida (vamos supor 1 dia).
  13. Vamos supor que a gráfica não é enrolada (Ha! Ha! Ha-ha-ha!) e que vou estar com a hélio na minha mão 4 dias depois - nas CNTPs claro.... Ha-ha! Dando tudo certo, aprovo o negócio na hora. Chefe compra papel. Contemos 1 dia para o papel ser liberado (aiai, essas CNTPs....)
  14. de 15 a 20 dias para o livro estar chegando aqui. Vamos contar 20 porque podem acontecer emendas e última hora e também porque a gente shrinka (aquele embrulhinho de plástico) e isso atrasa.

O...k... Agora, crianças, vejamos como está a matemática de vocês, gênios hi-tech e gerentes dilberts: 1 + 4 + 1 + 10 + 3 + 3 + 4 + 0 + 3 + 3 + 2 + 1 + 4 + 1 + 20 é igual aaaa...... 60!

Um livro fica pronto em 60 (sessentaaaa!!!) dias NAS CNTPs. Condições Normais de Temperatura e Pressão. Não estou contando aqui com surpresas desagradáveis na gráfica, com o papel demorando para chegar de SP, com autor fazendo emendas até o último minuto do jogo, com a capa dando distorções de cores na prova digital e precisando ser refeita, com correio funcionando erraticamente. Suponho o bureau emendando tudo perfeito, sem precisar de qualquer retrabalho (ahã!), sem muitas dúvidas de revisão, e sem ter um analfabeto funcional como autor. Ah, claro, E SEM O LIVRO TER 400 PÁGINAS OU MAIS!

APRENDERAM??? SESSENTA DIAAAAS! DOIS MESES! TWO FUCKIN' MONTHS! Para um livro comum de no máximo 300-350 páginas. E SE O LIVRO NÃO CONTIVER CD-ROM ANEXO! (ponha na conta aí mais uns 15 dias *CNTP* ao processo)

Mas não! Autor algum se importa com isso, certo? Afinal, estamos aqui APENAS TRABALHANDO NUM ÚNICO LIVRO, O DELE! Oohh!! Mas claro!!!!!! Eu não tenho outros 17 livros correndo paralelamente em produção não, né?! Não tenho que fechar nenhuma planilha de custo dos livros entregues não, né?! Não tenho que mandar boletins com previsões semanais para vendas não, né?! Não tenho que fazer contratos para futuras obras não né?! Naaaada disso... Tô aqui sóóó para correr com o livro dele em 20 dias! QUÁ-QUÁ-QUÁ!

Escute aqui... Autor procrastina até o último momento a porra da entrega do original e quer que o livro fique pronto dias depois "por causa de um evento"??? VAI TOMAR NO C****!!!!! (eu falei que eu tô irada)

Autor sem-noção querido, pare com a ilusão e aceite os fatos.

  • VOCÊ NÃO ESTÁ ME ENVIANDO O MATERIAL PAGINADO. ISSO NÃO EXISTE, VOCÊ *ACHA* QUE PAGINOU, OK? TUDO TERÁ QUE SER REFEITO PARA OS NOSSOS PADRÕES. HÁ UMA RAZÃO PELA QUAL TRABALHAMOS COM BUREAUS - ELES SABEM PREPARAR UM LIVRO, VOCÊ NÃO.
  • NÃO, SEU TEXTO NÃO ESTÁ REVISADO SÓ PORQUE VOCÊ PASSOU CORRETOR ORTOGRÁFICO. E NÃO ME VENHA COM O PAPINHO DE QUE VOCÊ LEU TUDO TRÊS VEZES QUE EU NÃO ACREDITO EM PAPAI NOEL. C'MON!!!
  • NÃO, SEU MATERIAL ENTREGUE NÃO ESTÁ PERFEITO E "PRONTO". E, SIM, SEU LIVRO **PRECISA** DE MUITAS CORREÇÕES! (só UM autor se salva aqui, aiai! Amo-o! *suspiros*)
  • NÃO, SUAS FIGURAS SALVAS EM .JPEG SAFADO DE PÉSSIMA QUALIDADE "PARA NÃO PESAR NO ARQUIVO" NÃO VÃO FICAR BOAS PARA IMPRESSÃO. REENVIE-AS, FAZ FAVOR.
  • POIS É, VOCÊ NÃO NUMEROU FIGURAS CORRETAMENTE, NÃO FEZ O REMISSIVO NEM DECIDIU O QUE É TÍTULO E SUBTÍTULO. SIM, ALGUÉM É RESPONSÁVEL POR TRANSFORMAR O SEU AMONTOADO DE "GENIALIDADES" EM ALGO SIMILAR A UM LIVRO, COM SUMÁRIO ETC. - EUZINHA AQUI.
  • NÃO, NÃO DÁ PARA SÓ PASSAR O OLHO CORRENDO NAS PROVAS PARA DEPOIS, COM O LIVRO JÁ EM GRÁFICA, "DESCOBRIR" QUE FALTOU UM TERMO NA LINHA TAL E ESPERAR QUE ISSO NÃO ATRASE A PRODUÇÃO. TOO LATE, MARLENE!

Resumindo da forma mais meiga que eu encontrei? NÃO, NÃO DÁ PARA VOCÊ MARCAR O LANÇAMENTO NA DATA QUE VOCÊ QUISER E POSTERGAR AO MÁXIMO A ENTREGA DOS ORIGINAIS ACHANDO QUE A GENTE SE VIRA!!!!!

Não pode o autor levar de 4 a 6 meses (MESES!) para atualizar uma mera segunda edição e exigir o livro pronto 22 (VINTE E DOIS!) dias depois do material entregue!

Não pode o autor NÃO entregar o material até hoje (19 de outubro...), mas querer ele pronto dia 21 do mês que vem (quá-quá-quá).

Não pode o Mestre Yoda dos Dilberts fazer tudo direitinho mas colocar seus padawans para lidar comigo - padawans estes que SAIRÃO DE FÉRIAS E LARGARÃO TUDO MALFEITO (figuras ruins, etc etc) porque afinal tá todo mundo com pressa. ("Dêem um jeito aí" ganhou o troféu de frase mais weasel do mês)

Ok, minto. O Mestre Yoda pode. Mas só ele. Como sou uma Sith Lady, mesmo com os padawans atrapalhando, esse deve sair no prazo recorde de 45 dias. Mas só porque eu e minha chefe e nossa equipe somos FODAS. E porque paramos metade da produção. E porque o Yoda escreve bem.

Mas atenção: é o Yoda. Meros mortais sem midichlorians - e português! - suficientes, entrem na fila.

(Depois eu conto como foi o parto.)

11-07-2007

Jack Bauer dublado?? UP YOURS!!! (ou: análise gratuita e rasteira do mercado para os executivos da FOX, cortesia da tia Má)

Tem algo de muito errado com a TV paga brasileira quando a FOX resolve transformar 80% da sua programação em atrações dubladas.

Meu, não dá pra compreender isso... serei eu uma minoria ínfima?? Sou a única que acha que pagar por TV a cabo é NO MÍNIMO sinônimo de legendas??

Ahh, mas perceba o raciocínio-dilbert da FOX:

  1. Nossa audiência foi para o espaço.
  2. Como a líder de audiência é a TNT, e a TNT é toda dublada, vamos dublar.

Sim, na cabeça dos executivos o que aumenta a audiência é a dublagem!!!! Oh, céus, será mesmo verdade??? :O

Claro que não. Pra começo de conversa, a TNT é a mais assistida porque o canal sempre vai junto com o pacote mais barato de assinatura. É basicamente o único canal de filmes pra quem não pode pagar pela HBO/Telecines. Fato. Lembro de pacotes da NET ridículos, que incluíam MTV, Cartoon, CNN e TNT – e olhe lá! Sem contar que algumas antenas freak e serviços ilegais captam a TNT gratuitamente. E como foi um dos primeiros canais a chegarem via cabo, neguinho responde "TNT" nas pesquisas por puro instinto.

Portanto, atenção som: A SUPOSTA GRANDE AUDIÊNCIA DA TNT NÃO DEVE SER PARÂMETRO! Pense bem: os assinantes de TV a cabo já são uma minoria ridícula; dessa minoria, muita gente é ilegal – e o resto dos que de fato pagam deve ser 80% de assinantes apenas do pacote básico! Loooogo... dá-lhe TNT nas pesquisas debilóides. Dãããã!!

E outra coisa... eu já participei de uma pesquisa dessas e a mocinha que me entrevistou simplesmente IGNORAVA o que era "FX", "FOXNews" e "MaxPrime". Tive que SOLETRAR pra ela. Portanto, eu não respeito tais pesquisas.

E também não acredito que a solução seja nivelar por baixo – ou seja, adaptar a TV paga à nossa TV aberta. O Multishow fez isso (virou apêndice do Video Show) e veja o lixo que o canal se tornou. Todos os demais canais Globosat fazem o mesmo: viraram todos extensão da Globo. Tsc. Isso é estúpido em vários níveis... o público da TV paga NÃO É o público da TV aberta. São coisas DIFERENTES. Se eu fujo da TV aberta é porque claramente não quero assistir a nada remotamente parecido com ela. Oras...

Difícil de acreditar que alguma pesquisa freak dessas demonstre que o público prefere dublagem a legendas. Não acredito nisso nem com o Telecine alegando que foi isso que o fez trocar um canal de comédia por um canal de dublagem. Bullshit! Simplesmente é beeeem mais fácil – e barato! – dublar o que já se tem do que adquirir FILMES DECENTES para seu acervo. (imagino a pergunta weasel da pesquisa: "você prefere um canal que reprise os filmes do Telecine 1 ou um Telecine sessão da tarde"?) O Telecine 4 original foi pras cucuias porque seus filmes eram trash, e não porque eram legendados! As constantes mudanças desesperadas de layout e de nome (Cult, Light, whatever...) ao longo dos anos só mostra que neguinho não tá nem aí pra cinco canais de filmes merda que colocam legendas em miguxês, comercial no meio e desrespeitam os créditos, rolando-os numa velocidade surreal. Fato.

Ok, ok, vou concordar quando algum marqueteiro idiota de TV paga me disser que o público brasileiro é ignorante, que não sabe ler etc. etc. Fair enough. Só que vou ter que liberar a Ann Coulter enrustida em mim e berrar aqui: IGNORANTE TEM DINHEIRO PARA TV PAGA?? Essa audiência que a FOX tanto deseja é realmente de algum valor?? NA BOA! Não duvido nem um pouco da possibilidade de a maioria dos pesquisados possuir TV a cabo pirata.

Diga-me... por que eu, que pago mais de 100 paus por mês basicamente para ter LEGENDAS, preciso ser "recompensada" pela burrice alheia? Por que a FOX privilegia a porção com MENOR poder aquisitivo da sua faixa de "espectadores"?

O canal REALMENTE não considerou a possibilidade de ter decaído em audiência porque....

  • suas séries atualmente são medíocres? (Bones, Fran, Reba... who cares?)
  • apostou em séries que foram canceladas nos EUA? (Good Girls Don't e aquela outra de gente sumida, esqueci o nome)
  • apostou em séries que saíram do ar sem qualquer explicação e migraram para o FX? (Deadwood, Playmakers...)
  • extinguiu a quinta-feira sci-fi? (não subestime NUNCA o poder dos nerds!)
  • anunciou atrações novas e quando liguei a TV estava passando outra coisa nada a ver? (cadê a nova temporada de American Dad que vocês prometeram em junho no domingo? Ligo na hora divulgada e pego a reprise de Bones! Outra: cadê Boston Legal, que veio anunciada nas revistas como estréia de julho? Ligo a TV e dou de cara com a reprise de 24... outra: hoje a MONET anuncia Independence Day às 23hs, mas na Revista da TVA está escrito que é o filme Aos Treze...)
  • sua oferta de filmes está cada vez mais ridícula – e dublada??

Por fim, um detalhe óóóbvioooo: A FOX está errando ao comparar o perfil do seu público com o pessoal sem-noção que assiste TNT porque, repito, não tem grana contratar outro canal de filme. A emissora provavelmente perde audiência para outros canais DE SÉRIES, e não para a TNT!!!! E que outro canal de série dubla sua programação? Hum? AXN? Nope! Sony? Nope! Warner? Foi-se o tempo! A&E? Muito raro! FX? Hell, no!

Depois vem esse pessoal choramingar contra a "elite" que opta por baixar os episódios e suas legendas no computador via torrent....... aiai, que tédio!

19-06-2007

Minha semana como babá de “celebridades” (aspaaaas!)

Geralmente eu espero um tempinho antes de estrebuchar sobre os momentos surreais no meu trabalho, mas dessa vez não dá! PUTAQUILPARIU!!!!!! Só falando um palavrão!!!!!!

Vaidade é uma merda. Se eu tivesse que fazer um top 3 de características que eu abomino num ser humano, vaidade estaria pau a pau com "jogador de futebol".

(ok, pausa para o momento amigos-da-tia-Má-socam-o-teclado-de-tanto-rir.

Mas voltando...)

 Pois essa semana eu tive meus dias de "bastidores do Hollywood Rock": tive que descascar verdadeiros ego-abacaxis!

Era uma vez uma autora, que juntou artigos de dezenas de outros autores e fechou um livro. Em casos assim, geralmente o contrato da obra é assinado com os "principais" participantes (seja lá qual o critério para definir 'principais' – isso não vem ao caso, é um problema de ego entre eles), que então passam a ser considerados "organizadores". Os demais são então chamados de "colaboradores", pelo simples fato de que:

  1. ISSO É UMA NORMA.
  2. Não vão ganhar direitos autorais, pois os cederam aos organizadores CONSCIENTEMENTE.

Ponto. Eu não inventei isso. Minha chefe não inventou isso. É PADRÃO NO MUNDO TODO.

Esta autora (ela ganha DOIS créditos no livro por exigência própria, by the way! Essa foi maaais uma vaidade à parte, que nem vou detalhar aqui........) EM TESE tinha a função de deixar isso tudo bem claro aos "autores colaboradores egocêntricos".

Mas CLARO, amigos do esporte, que o rojão estourou na produção (leia-se: EU!). Quando os convites do lançamento do livro começam a ser distribuídos..... BUM, chovem gritos e histerias de "cadê o meu nome?" "por que não estou creditado na capa?" "eu não existo?" "fomos usados"....

....e a melhor de todas:

"Quero digitar meu nome no Google e ver como 1º resultado o nome do MEU capítulo! Podem providenciar isso, por favor?"

Esta humilde produtora que aqui digita, a oficial "providenciadora" de inúmeras coisas para que um livro saia em ordem, quaaaaase respondeu: "Humm, e o que mais eu poderia fazer pelo senhor? Gostaria de um pudim fresquinho para sentar em cima??? Ou prefere um pau no cú rápido?????"

Desculpem a frase chula, mas em certos momentos não dá para controlar!!!!

São vários os problemas aqui:

  1. Eu não trabalho no Google.
  2. Eu não controlo os algoritmos do Google.
  3. Não há sistema no mundo que catalogue livros pela autoria dos seus capítulos. Até porque casos assim são exceção.
  4. O cara que passa seu tempo digitando o próprio nome no Google tem sérios problemas. Por favor, não me envolva nessa neura.
  5. Meu trabalho é "fazer tudo para que o livro saia com a melhor qualidade possível, de preferência no prazo estipulado e com custos aceitáveis, sem retrabalho de preferência" – E NÃO "fazer tudo para agradar ao autorzinho colaborador de um capítulo que nem sequer assinou contrato comigo e muito menos se dignou a participar ativamente do processo de edição"
  6. Monday morning quarterbacking é muito fácil. Começar a dar ataquinhos na reta final, DEPOIS de tudo pronto e resolvido, é bem conveniente, não? Só agora o digníssimo descobriu que se sente lesado? Que pulasse fora antes, cara-pálida!
  7. É meio assustador pensar que neguinho se importa tanto com a capa e esquece que no miolo, NO CONTEÚDO, seu devido crédito é dado, com seu devido currículo, blablabla. Mas só a capa importa para tamanho gênio? Como pode? Coisa feia...
  8. Será que ele acha que só os créditos "visíveis" pelo cadastro do livro são o que importa numa publicação? *hummmm*

Ahh, já sei! Ele quer brincar no terminal da Saraiva Megastore!!!!!!!!

Oohhhh!!

Well, too bad. Por melhor funcionária que eu seja, não posso forçar uma rede de livrarias a cadastrar CINQÜENTA seres humanos como autores de um só livro para que eles possam se divertir com os filhos naquele tecladinho virtual. Isso não existe. Também não posso atear fogo na CBL exigindo que eles acabem com a figura do "organizador" e com o et al. da ficha catalográfica. Simancol, anyone?

Quer engordar o currículo com a frase "é autor de..."? Quer direitos autorais? Quer ser lembrado gloriosamente nos anais (uôpa!) do Google? ENTÃO SENTA A BUNDA NO COMPUTADOR, TOME VERGONHA NA CARA E ESCREVA ALGO MAIS QUE UM MERO CAPÍTULO. DEIXE DE SER WEASEL E DE EXIGIR LEVAR O MESMO CRÉDITO DE AUTORIA DE ALGUÉM QUE CLARAMENTE SE ESFORÇOU MAIS QUE VOCÊ, POIS PASSOU MESES ORGANIZANDO, PADRONIZANDO E REVISANDO TUDO PARA QUE, AÍ SIM, ESSE BANDO DE TEXTOS TENHA UM SENTIDO LÓGICO E POSSA SER CHAMADO DE LIVRO.

Já estou por aqui com essas malcriações e exigências estapafúrdias de pseudocelebridades. E aposto – aposto! – que tais criaturas foram as que escreveram os capítulos mais medíocres.

28-04-2007

Desabafo de uma cliente da TVA

 

A saga começou quando liguei minha TV segunda-feira e não consegui acesso ao canal que eu queria assistir.

"Acesso Negado", dizia minha TVA digital. Se não fosse feriado aqui no Rio e meu pai não tivesse ido pro cinema, eu não conseguiria assistir ao seriado (na sala é NET). O incrível é que TODOS OS OUTROS CANAIS estavam aparecendo.

Então o calvário se iniciou: liguei pra TVA no mesmo dia, QUINZE minutos on hold escutando uma gravação. Ninguém resolveu meu problema. Terça ligo de novo, outros QUINZE minutos on hold, e a mulherzinha fala "estarei lhe enviando um sinal, se não aparecer em 24 horas por favor ligue novamente que estarei lhe agendando uma visita técnica".

Então o canal volta na minha TV, que fica ok. Aí é a TV da minha irmã que surta: o AXN passa a ser o ÚNICO canal funcionando. TODOS OS OUTROS saem do ar. É surreal. Ligo de novo (pra quem se perdeu, já estou na quarta-feira). VINTE MINUTOS on hold. Marco a visita técnica. A mulherzinha me garante que eles "estarão chegando quinta-feira entre 16 e 17hs".

Estou esperando até agora.

Sexta-feira alguns canais na TV da minha irmã voltam, mas outros continuam fora do ar, ou melhor, "Acesso Negado".

Ligo hoje (sábado) e depois de DEZOITO MINUTOS de espera falo com um ser humano que remarca a visita para hoje, com a 'maior prioridade'. A ligação caiu no meio, mas isso é um "mero" detalhe. Ninguém me informou o motivo da 'não-visita' na quinta-feira porque, segundo a mulherzinha, "ninguém escreveu no sistema qualquer razão pela qual o atendimento não pôde ser feito". E a consumidora-sucker aqui não recebe qualquer satisfação, e não há mais nada além que a mulherzinha possa me falar sobre o assunto. Se eu insisto ela vira um papagaio que repete a mesma frase over and over again. Estou destinada a ficar em casa esperando pelo cable guy encantado que dessa vez eles me juram que vai aparecer aqui hoje.

Isso foi de manhã. Para quem não sabe, o horário comercial da TVA é das "9 da manhã às 10 da noite", ou seja, são 19:15hs e tenho pelo menos 2hs e 45 minutos de esperança que um técnico chegue aqui.

Ah, mas teve mais surrealismo na minha luta de ter os canais PELOS QUAIS EU PAGO disponíveis... um homem da TVA passou hoje aqui no prédio. Pois é. Mas... oh, puxa, ele não fazia idéia de que eu tinha pedido uma visita. Ele só veio recolher o aparelho analógico daqui de casa – e não faz consertos! Sabe o que ele me disse para fazer? "Liga para lá e ameaça com o PROCON" (palavras dele).

E cá estou eu, relegada ao lixo do lixo do lixo por uma empresa que é paga para ME PRESTAR UM SERVIÇO DECENTE. Pois é. Se você parar pra pensar, EU ESTOU PAGANDO PARA SER MAL-ATENDIDA.

Não só sou tratada como esterco, como simplesmente não há solução para o fato. Toda vez que eu ligo passo 25 minutos em média me comunicando com um robô e ouvindo gravações tediosas. Aí o atendente que, ahn, me "atende" NUNCA me ajuda. NUNCA consigo um atendimento satisfatório. Simplesmente fico presa num emaranhado de Help-Desk que nunca me deixa chegar aonde eu quero (falar com alguém REALMENTE capacitado para resolver meu problema). Quando eu peço para falar com um supervisor, SEMPRE me enrolam. Não tenho acesso aos técnicos. Não tenho acesso à equipe de visita técnica do Rio de Janeiro. Nada é personalizado. Toda santa vez que eu ligo pedem para eu digitar o número do telefone. Aí qual é a primeira coisa que o atendente faz? PEDE O NÚMERO DO TELEFONE. Oras. Tenha a santa paciência.

Falar com esses atendentes é o mesmo que falar com um chimpanzé, só que um pouco mais trabalhoso. A pessoa está condicionada a fazer as mesmas perguntas, falar as mesmas coisas, é incrível a dificuldade que se tem de interrompê-los quando eles começam com seus ramblings-padrão.

É sempre "estarei lhe enviando um sinal, aguarde até _insira aqui um horário aleatório_". E eu sempre tenho que ligar de volta, porque nunca volta ao normal na hora que eles falam (chutam?). E então me mandam desligar o aparelho. E ligar de novo. E retirar o cartão. E colocá-lo de novo. (sempre aleatoriamente...) E esperar até o dia seguinte. Se não voltar "retorne a ligação para uma visita técnica".

Oh, vida.

Desde que a TVA virou digital (e é mandatório, não posso "optar" por permanecer analógica) minha vida é um inferno na Terra. E não estou tão raivosa como eu estaria normalmente. Não. Estou CANSADA. CANSADA da minha voz não ser ouvida, CANSADA de ser atendida pelos mesmos seres que balbuciam as mesmas merdas em gerúndios e não solucionam meu problema, CANSADA de ninguém realmente me ouvir. Estou CANSADA de ficar ligando para suplicar que me dêem o que já é meu de direito.

Pago R$ 111,00 por mês para todo santo dia ligar a TV e rezar para que aquele canal que eu quero assistir no momento esteja disponível. Isso porque se não estiver............ a TVA vai fazer de tudo para que eu me sinta o cocô do cavalo do bandido.

E são 19:45. Nada de técnico da TVA. Tenho mais 2hs e 15 minutos de espera até minha próxima ligação, e meu próximo on hold e meu próximo "atendimento personalizado em gerúndio".

Estou cansada. MUITO cansada.

 

30-03-2007

Ô raça

 
Quando eu falo que operadores de telemarketing merecem tudo de ruim.......

Operadora troca nome por palavrão em conta de cliente.

Agora é o seguinte: a história vai ficar por isso mesmo; a tal empresa terceirizada que faz o atendimento de call center "tomará as devidas providências", mas a gente vai ficar aqui sem saber QUEM REALMENTE FEZ ISSO.

Quem foi o atendente engraçadinho? Quero nome e foto deste inDUHvidual na página dos jornais!
Quero nome e foto do SUPERVISOR dessa criatura. Quero nome e foto do DIRETOR da empresa.

E quero que alguém aí no mundo, POR FAVOR, melhore o atendimento ao consumidor! É pedir demais? Por que o cliente, segundo a matéria, teve que ligar MAIS DE 20 VEZES PRA TIM pra pedir correção da fatura?? Ahh, os telemarketings o acham um pentelho que só faz ligar para "encher o saco"? ENTÃO RESOLVAM O PROBLEMA DELE DE PRIMEIRA, ORAS.

Cuidado ao reclamar seus DIREITOS, portanto. Por mais que você tenha razão, pode esbarrar com um inDUHvidual que te ponha em hold, fale aqueles gerúndios todos com aquela má-vontade amiga e te mande praquele lugar usando seu "poderzinho" de alterar nome em cadastro. Aiai.

Não tenho pena alguma desses FDP. Não tenho. Quando me ligam oferecendo merda eu destrato MESMO. Quando não resolvem meu problema de primeira, eu chamo SIM o supervisor e xingo SIM.

Vi dias desses na BAND reportagem sobre o stress "horrível" da profissão e só fiz rir. E o MEU stress quando me ligam e me perturbam? E o MEU stress quando tenho que ficar na linha por incontáveis minutos até ser atendida por um ser humano (que agora pode ser acéfalo, como a reportagem mostra). Quem resolve esse meu stress??? Hein hein??

Morte a todos! E morte, especialmente, aos IMBECIS que treinam essa manada com técnicas débeis de marketing (pleonasmo?). Será que ninguém se tocou ainda de que NINGUÉM sai satisfeito dessa? Os clientes ficam putos da vida, os atendentes também; o que mais precisa acontecer para abrir os olhos dessa raça de pointy-haired bosses - e ASSHOLES - que dominam os SACs das empresas???

E a gente aqui, como sempre, esperando.... em hold........
06-03-2007

Must... control... fist... of... death... (literalmente!!!!!)

 
(*ok, Marina, respiiiire*)
Eu a-do-ro o meu trabalho, I really do.

E adoro mais ainda quando os digníssimos autores simplesmente não dificultam o meu trabalho. É simples o que eu peço. Veja bem, não quero que eles facilitem minha vida - se não complicar eu já agradeço!

Já escrevi anteriormente um texto sobre os vários tipos de autores que existem, mas creio que preciso dar um update nisso. INFELIZMENTE. 
O pior autor que cito é o "EXTREMAMENTE indeciso":
"A cada vez que olha o material, quer alterar ordem de capítulos, inserir figuras, incluir apêndices... (...) Sofre horrooores para se resolver e chega a passar quase 4 horas na Editora! Gente, ninguém merece!!! Será que não dá pra entregar o material quando DEFINITIVAMENTE terminar de escrevê-lo??"

É, pois é. Preciso atualizar a descrição. Ou quem sabe criar outra categoria: "o EXTREMAMENTE indeciso (e provavelmente desocupado) a ponto da PSICOPATIA".

Aparentemente este tipo de autor se caracteriza por entregar o livro "pronto" e depois, ignorando totalmente o fato de que acabou de entregar o material DEFINITIVO e achando que a gente usa o CD-ROM enviado por ele como enfeite de mesa, se põe a reler e refazer e remexer..... NO MATERIAL QUE ACABOU DE ENTREGAR, E SEM A GENTE SABER.

Ok, pra quem não é do mundo editorial, uma dica: no trabalho somos todos control freaks. É da carreira. Todo mundo que escreve/publica/reporta/edita algo sabe do que estou falando. O objetivo é a perfeição. E para atingir a perfeição o melhor método é o controle a ferro e fogo e a checagem exaustiva.

Eu e minha chefe precisamos alucinadamente saber o que acontece com nossos livros em cada passo da produção. O autor não pode, da cabeça dele, mudar uma vírgula na página 253 e NÃO nos avisar disso. Porque pode ser uma vírgula que demande outra vírgula logo depois. Porque pode atrapalhar todo o esquema do parágrafo. Ou porque simplesmente NÃO SE USA VÍRGULA ENTRE SUJEITO E PREDICADO E O AUTOR NÃO SABE DISSO (não vou nem me aprofundar na questão...............).

Então se a gente já tem um material 'x' nas mãos e o estamos revisando, editorando e checando, o súbito aparecimento de material supostamente "revisado" pelo autor (vamos chamá-lo de 'y') joga nosso trabalho no lixo porque o autor não viu nossas emendas e observações, fez tudo da cabeça dele e a gente não sabe, com base em 'x', o que mudou em 'y' - e, vamos ser sinceros aqui, não tem como compararmos x com y linha a linha, palavra a palavra, sem pensar em formas cruéis de matar esta pessoa.

[Pausa: Se o autor for gente fina vai marcar em vermelho as diferenças, e aí a gente até dá um desconto (não vou querer matá-lo, apenas arrancar-lhe os pêlos do corpo com pinça se for homem e tirar-lhe um bife de cada unha se for mulher)]

O material entregue DEVE ser a versão definitiva. Ponto. Se ainda achar que precisa 'dar umas mexidinhas', NÃO entregue. Mexa o quanto for, e ENTÃO entregue. E depois, no período de silêncio profundo entre a entrega e a revisão pronta, FIQUE QUIETO. NÃO TOQUE NO SEU ARQUIVO. Não tem o que fazer? Entre no YouTube, jogue paciência, qualquer coisa... ESPERE A PROVA REVISADA CHEGAR NAS SUAS MÃOS PARA PENSAR EM ALTERAR ALGO.

Aí o aspirante a escritor pergunta: "Poxa, mas o autor não poderá fazer alterações ao longo do processo??"

Claro que poderá! Mas enviará **apenas o necessário para as mudanças serem feitas, e não o livro inteiro novamenteeee** E isso é absolutamente aceitável, uma vez que o autor VÊ A PROVA DEPOIS DA GENTE E NÓS TOMAMOS CIÊNCIA DAS MEXIDAS DO MESMO. O que não pode é neguinho jogar "nova versão do livro com algumas mudanças" no nosso colo sem termos como saber QUAIS são as mudanças, e ONDE elas entram.

Não dá para uma certa figura me mandar a QUARTA VERSÃO do original desde janeiro, sempre alardeando que "esta é a definitiva". Tirando uma média, é uma versão nova do livro a cada quinze dias. Isso é doentio. E ATRAPALHA O TRABALHO DE TODO MUNDO, CACETE.

A "primeira versão" tinha sido impressa e virou papel de rascunho. A segunda versão nós ignoramos por uma semana e meia e aí chegou a "terceira versão" - que, depois de esperarmos quase um mês (just in case...) entrou em processo de produção.

Ou seja, agora já não adianta mais mandar material inteiro re-re-revisado de novo, pois do contrário a editoração eletrônica terá que começar tooooodo o trabalho do zero - e mandará para mim baratas vivas junto com provas impressas no papel mais afiado do mundo (aqueles capazes de abrir uma veia pequena na mão e te fazer sangrar por quinze minutos - I am not kidding!).

Então minha chefe explica a delicada situação a esta pessoa (sem mencionar as baratas e o papel assassino) - e nada. Nota zero para a capacidade de compreender duas frases simples ("NÃO ADIANTA ENVIAR NOVO CD PORQUE ESTAMOS TRABALHANDO COM A VERSÃO ANTERIOR. FAVOR AGUARDAR A REVISÃO E, AÍ SIM, FAZER SUAS MUDANÇAS").

Resultado? Vamos ignorar a quarta versão, trabalhar com a terceira e mandar a prova para tal ser humano ter o trabalho de passar sua quarta versão para o papel - que, claro, vai ser tão alterada que voltará como "sexta versão".

(Ahh, e cuidadinho com o papel, tá?)
05-12-2006

Como NÃO praticar o gerenciamento de tempo "de um projeto"

Não é preciso ser um expert em produção editorial para saber qual é o procedimento lógico após a seguinte seqüência de eventos:

  1. O autor quer um anexo ao final do livro.
  2. O autor entrega, portanto, um CD com o anexo do livro junto com o próprio anexo impresso, mas em formato de apostila.
  3. Eu mando o CD e a apostila para a editoração eletrônica, para formatarem o anexo conforme paginação do livro.
  4. O bureau me liga dizendo que as últimas páginas que aparecem na apostila não constam do arquivo que está no CD.
  5. Eu aviso o autor do problema e peço o arquivo das últimas páginas.

E qual seria o passo 6?
"Autor manda para tia Má o arquivo das páginas que faltam".
Simples, não?
Ahhh, mas não se esse autor for o gerente de cabelo pontiagudo chefe do Dilbert!!!!!


Sabe qual acabou sendo a seqüência SURREAL de eventos?

6. Autor responde que, PARA NÃO PERDER MAIS TEMPO (olha isso) só vai enviar as páginas que faltam mediante confirmação minha (!) sobre a veracidade (!!) dos fatos narrados pelo bureau (!!!)

Aí você encosta na cadeira e ri: PARA NÃO PERDER TEMPO?!

PARA NÃO PERDER TEMPO...

(a) VOU TER QUE DESLOCAR BOY ATÉ O CENTRO PRA PEGAR CD E APOSTILA (11hs);
(b) TRAZER DE VOLTA PRA MIM (12hs);
(c) PARA QUE EU OLHE O TROÇO (12:15-12:45);
(d) CONFIRME QUE REALMENTE FALTAM AS PÁGINAS (pra quê a editoração eletrônica ia inventar uma coisa dessas, cacete?!) (12:48)
(e) ENTÃO MANDAR O BOY IR DE NOOOOVO AO BUREAU LEVAR O CD E A APOSTILA DE VOLTA?? (15hs no mínimo, pós-almoço meu, do boy e da minha chefe)

E, SENDO MUITO OTIMISTA, AGUARDAR QUE O AUTOR TENHA A SUPREMA BOA VONTADE DE ME MANDAR O QUE FALTA ATÉ O FINAL DO EXPEDIENTE! (o que *não* aconteceu, by the way)

Vamos ver se eu entendi: esse processo todo faz a produção NÃO perder tempo?!? Onde isso, cara-pálida?!?

Anote aí no seu "Gráfico de Gantt", colega: ATRASO DE UM DIA E MEIO COM ESSA PALHAÇADA TODA - and counting!
*argh argh argh*

28-11-2006

'Suporte Técnico Dogbert' - Historinha de terror #45940


O micro da minha irmã foi pras cucuias, simplesmente não entra mais no Windows (fica apenas a logo sob um fundo azul olhando pra gente). Tentei então reinstalar o Windows - ou melhor, "reparar" a instalação.

Tudo muito bom, tudo muito bem, lalala. Eis que o programa me pede a chave do produto. Ok. Digito tudo direitinho e ele me diz que a chave é inválida. Tentei umas 800 vezes e nada. O que não faz o menor sentido, já que esse Windows é LEGÍTIMO, veio de fábrica instalado, etc etc.

Hoje vem o técnico e mesma coisa. Necas de conseguir instalar.

Resultado? Pela primeira vez na minha vida tive que ligar pro suporte do Tio Bill! Yeaaahh! (olha isso, uso Windows desde 1991 e nunca precisei ligar... deve ser algum tipo de recorde mundial!)

Pelo visto isso o que aconteceu comigo deve ser uma ocorrência normal, pois a mulézinha me respondeu num bê-a-bá decoradíssimo. Sente só o procedimento surreal: eu tenho que passar por fax a nota fiscal do produto e (agora é que fica legal...) o CD-ROM do Windows!

*gargalhaaaaadas*

Sim!! Eu terei que bater uma foto ou escanear o CD-ROM e passar por fax!
Sensacionalmente dilbert isso!!!!

E o que dizer de uma das opções do menu do 0800??? "Se você recebeu um spam/e-mail falando que seu Windows não é uma cópia legal, pressione 1".

Ah, e preciso mencionar a diferença fun-da-men-tal entre as opções "suporte técnico" e "atendimento ao cliente"... "Suporte técnico" é para quem tem o Windows instalado. "Atendimento ao cliente" são para os infelizes que empacam na (não-)instalação do produto e não conseguem nem entrar no ambiente do sistema operacional. Ah, então tá!!!!

(assustador...)
24-10-2006

Só xingando mesmo (ou: A saga de renovar assinatura com a Abril)

 
Eu assino várias revistas da Abril. Mês que vem é a vez de renovar a ESTILO.
Ok.
 
Com um mês de diferença (ou seja, agora, em outubro) eu ligo pra lá pra renovar e pedir um boleto.
Ok.
 
Só que até hoje o boleto não chegou.
Ok.
 
Aí então hoje uma moçoila do telemarketing da Abril me liga perguntando se eu não ia renovar a ESTILO.
Ok.
 
Digo a ela com toda a paciência do mundo que estava esperando o boleto chegar. Aí pronto: a garota começa a dissertar (sem pausa para respiração!) a grande "promoção" "especialmente para mim" que a Abril "estará proporcionando": não-sei-quanto porcento de desconto. Vários minutos de Bla-bla-bla-bla depois, ela me manda:
"Qual é o seu banco?"
Cuma?
 
"Qual é o seu banco, senhora?"
Pra que você quer saber disso?
 
Ah, é porque a promoção é para quem assinar no formato "débito automático"... Mas eu não quero débito automático (nem pensar!). Então explico à mocinha que eu uso o boleto (tudo muito delicadamente - na medida do possível, porque TODO ANO, E PARA TODAS AS MINHAS REVISTAS, É A MESMA LENGALENGA)
 
Então o que seria um telefonema circunstancial-dilbert se transforma na celeuma e no barraco do dia: a srta. do telemarketing me ameaça!!!! Sim!!! Ela diz que se eu não renovar a assinatura por débito automático eu não receberei mais a revista a partir de dezembro!!!!!!!!! Dá pra acreditar nisso???
 
Como é que pode uma empresa, que tem mais é que AGRADECER por eu ser assinante e forrá-los de dinheiro, me AMEAÇA desse jeito???? Querem me forçar uma forma de pagamento que eu me recuso a usar????? ALÔ, SOM!!!!!! MENOS!!!!!!
 
Então comecei a berrar indignada e a garota lá, irredutível: "a senhora não pagou este último boleto..." "MAS MINHA FILHA, EU NUNCA RECEBI ESTE BOLETO!!!!!!" "Então... se ele foi extraviado a senhora agora só pode renovar no débito automático..." "O QUEÊÊÊÊ??? DESDE QUANDO ISSO???? QUE CULPA TENHO EU SE O BOLETO NUNCA CHEGOU AQUI????? CHAME O SEU SUPERVISOR!!!!!!!!!"
 
E foi assim uns 10 minutos. Eu berrando loucamente com a imbecil da atendente, que LIGA PRA MINHA CASA PRA ME AMEAÇAR E AINDA SE RECUSA A CHAMAR O SUPERVISOR!!!!!!!!! Sendo que vááárias vezes durante os meus gritos ela meio que ligou o "hold", manja? Ha, pergunta se isso me fez parar de gritar???
 
Então entra o supervisor. Primeiro ele começa desconfiando que eu não recebia mais a revista: "a senhora recebeu a ESTILO de novembro?" "não meu filho, estamos em outubro"  (tsc!) Aí ele implicou com o fato d'eu não saber a data exata em que eu liguei para a Abril pedindo o boleto (!!!!!) FILHO, EU NÃO TENHO A MENOR OBRIGAÇÃO DE SABER ISSO! O PROBLEMA É TODO DA ABRIL! Aí começou a insinuar que eu me recusei a pagar o boleto - e lá fiquei eu, repetindo umas OITO VEZES que eu nunca recebi a porra do boleto! *Arghhhhhhh*
 
Esse papinho-conflito todo de 'quando-eu-liguei-exatamente' era só fachada pois, no final, ele revelou a verdade-dilbert: ELES SÃO DO MARKETING, E O MARKETING NÃO TEM ACESSO AOS DADOS DO SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO ASSINANTE. Aaaaahhhhh!!!! OOhhhhhh!!!!
Então que diferença faz saber a data em que eu liguei se ele não pode mandar fazer outro boleto?? (Sim!! Ele me mandou ligar DE VOLTA pra Abril, pois Marketing não conversa com o Serviço de Atendimento, e portanto não poderia me ajudar! OH MY GOD! Que gênios... Up yours!!!!!!!)
 
O fantástico é a frase-padrão que eles têm que repetir até eu falar que estou satisfeita (o que, CLARO, não disse!!!): "Posso ajudar a senhora em algo mais?"
"NÃO NÉ MEU FILHO, NO QUE VOCÊ ME AJUDOU??? NÃO SÓ LIGOU AQUI PRA CASA PARA ME AMEAÇAR E COAGIR A ADOTAR O DÉBITO AUTOMÁTICO - 'SENÃO MINHA REVISTA NÃO CHEGA EM DEZEMBRO!' - COMO NÃO PÔDE MANDAR FAZER UM BOLETO NOVO! Me mandar ligar pra Abril é algum tipo de ajuda, colega?????"
 
O cara já não tinha mais o que falar - óbvio, quem estava com a razão era eu! Agradeceu por eu ser assinante há tanto tempo, yadda yadda yadda... Como se isso consertasse a merda!
 
Ninguém liga pra minha casa me ameaçando cortar minha assinatura (pela qual eu PAGO! Pffff! Ou seja, EU é que faço o favor pra eles, e não o contrário!!!!!!!) e sai impune.
Ninguém vai me coagir a mudar minha forma de pagamento ameaçando não renovar MESMO QUE EU QUEIRA (nunca vi disso!!!!!!!!)
 
Aprendam, ASSHOLES do mundo corporativo:
 
  1. Eu sou a cliente, portanto, eu tenho razão.
  2. Não se ameaça cliente de cortar algum serviço pelo qual o CLIENTE paga e pretende pagar - só que no boleto. Dã.
  3. Ah, vocês estão querendo convencer todo mundo a mudar para o débito automático? Ok, belê. Mas RESPEITEM quem prefere outra forma de pagamento, ok? Definitivamente NÃO É AMEAÇANDO que vocês vão conseguir qualquer coisa.
 
Que "marketing" genial, hein?
03-09-2006

The Office – versão americana


 
 A série britânica “The Office” era foda. Causou comoção, especialmente nos EUA – país dos Dilberts por excelência. Daí a inventarem a versão “americana” da série foi um pulo.
 
Eu logo fiquei desconfiada; americanos quando fazem suas versões de “coisas estrangeiras” parece ser adaptação-para-gente-estúpida, tipo enlatado for dummies.
 
E os dois primeiros episódios da série foram exatamente isso: pegaram o mesmo roteiro, quase as mesmas falas. Foi tétrico. Humor britânico é algo absolutamente distante do que se espera de sitcoms americanas.
 
Porém, os programas seguintes se desvincularam totalmente da série de origem, e de uma forma totalmente genial. Até porque a premissa (dia-a-dia de um escritório) é muito mais cara dos EUA do que da Inglaterra. Então foi questão de tempo até os roteiristas se acharem.
 
A grande sacada do “The Office” (tanto o UK quanto o US) é o formato documentário: há uma câmera no escritório, todos eventualmente ‘falam’ com ela e estão conscientes de que são filmados. Então o absurdo da situação (totalmente verossímil, by the way) é ver a cara de constrangimento horrorooooosa que os funcionários fazem quando o chefe começa com as gracinhas. É um seriado centrado em assistir a constrangimentos coletivos e fazer você quicar de agonia por se identificar com 90% das cenas.
 
Os personagens americanos são idênticos aos britânicos em essência (até porque quem trabalhou entre baias sabe que é regra existirem tais figuras): o chefe babaca; o cow-worker alucinado; o funcionário com carinha de indie, meio perdido ali dentro; a secretária bonitinha.
 
Porém, em circunstâncias e enredo, a série americana está se desenvolvendo de forma totalmente diferente e, arrisco aqui uma palavra bem banalizada atualmente porém perfeita para descrever “The Office (US)”, SURREAL.
 
O The Office americano está ficando cada vez mais S-U-R-R-E-A-L. Já perdi a conta de quantos berros e risos histéricos eu já dei assistindo aos episódios das últimas semanas.
 
Por exemplo: logo no início o gerente babaca da filial embebeda a chefe que o supervisiona da matriz e consegue levá-la pra cama. Desde então ele surta a-lu-ci-na-da-men-te (não consigo nem explicar, só assistindo!), e as situações são as mais exasperadoras que você pode imaginar. Você ri, mas é um riso engasgado-tenso, daqueles “caraca, conheço alguém tão sem-noção quanto ele, que pode com certeza fazer algo parecido!”
 
Outra: o funcionário indie convida o pessoal todo pra uma festinha na casa dele, mas não convida o chefe babaca porque senão todo mundo se intimida e o clima fica tenso; pois o chefe babaca descobre, faz de tudo pra ser convidado, não consegue e ACABA APARECENDO LÁ MESMO ASSIM!!!! A cena é absolutamente SURREAL de tão bem feita. Toooodo mundo constrangido....!
 
Mais uma (até agora o episódio que mais me fez gritar): a chefona cria o “dia das mulheres no escritório”. O gerente babaca se revolta e reúne os homens no depósito; acaba causando uma destruição LOUCA lá embaixo e incitando os funcionários dali a fundarem um sindicato (o que causaria a demissão de todos). Ele tem que corrigir a situação mas é incapaz de se impor com o povo do depósito.
 
Ou seja, “The Office (US)” extrapola a cada semana. Não há limites para o que pode acontecer naquele escritório. O assustador disso tudo? Na vida real é i-gual-zi-nho.