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    7/15/2009

    A Proposta (The Proposal)

    Pelo trailer já se percebia que seria um filme ruim. Comédia romântica com Sandra Bullock de mulher “mal amada” e o Ryan Reynolds de contraponto numa trama improvável de “case comigo de mentirinha para nos apaixonarmos no caminho”? Não tem como dar certo, né!

    Por incrível que pareça, eu gosto dos dois atores – especialmente a Sandra Bullock, dela eu encaro praticamente qualquer porcaria. Mas o que me fez sair de casa e pagar para ver algo que eu *sabia* que não ia gostar foi o fato de Margaret Tate, a personagem de Sandra Bullock, ter a minha profissão. Ela é uma editora-chefe (tradução da legenda, mas por aqui ela poderia ser chamada de “gerente” ou  “diretora” editorial) poderosa que tem o visto cancelado e corre o risco de ter que voltar para o Canadá. Para isso, ela inventa de se casar com o seu assistente, o Ryan Reynolds.

    A história, estapafúrdia, não vai muito além disso. Eles passam o fim de semana juntos no Alasca, onde a família dele mora, e você supõe que será ali que a magia vai acontecer e os pombinhos se apaixonarão.

    Bom, foi isso que teoricamente os roteiristas tentaram a todo custo fazer acontecer, mas deu tudo errado. A trama não avança nem a pau.

    Esse é o grande problema do filme: a síndrome do piloto automático. Jogaram todos os clichês de comédia romântica num saco, sacudiram e acharam que tinham uma história para contar.

    Não adianta pegar uma vovozinha engraçada, uma ex-namorada loirinha bonitinha, a Sandra Bullock fazendo aquele seu papel de “durona” (leia resenha maravilhosa de Inácio Araujo na Folha – somente para assinantes e UOL), um elemento cômico freak que atende por Ramone (gente, na boa, foi o pior miscast que eu já vi na vida!), uma microscópica reviravolta no final e supor que isso vai se transformar numa história a ser contada.

    Por mais que os dois atores tenham uma certa química nos momentos “cômico-constrangedores” obrigatórios em filmes assim, da metade do filme em diante não se ouvia mais qualquer risada no cinema.

    Faltou roteiro com o mínimo de rumo, faltou desenvolver os personagens principais, faltou aparecer ali o propósito básico para a existência de uma comédia romântica: razão para que o casal protagonista se apaixone.

    Passam-se duas horas e você não entende por que diabos Ryan Reynolds e Sandra Bullock terão um final feliz.

    A única coisa legal foi ver o escritório da editora. Maneiro constatar que não é só a minha sala que vive entupida de papéis e provas :P

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