Já perdi a conta de quantas Bienais eu fui na vida e de quantos livros não lidos comprados por lá por pouquíssimos reais há na estante. Como o ritual se repetiu no último sábado, resolvi apontar aqui a *minha* Bienal. Porque o mais legal da feira passa longe dos Cafés cool-literários ou de encontrinhos engraçadinhos de autores trendy mas que vendem pouco.
Quem é esperto passa a Bienal de olho no que dificilmente se vê por aí. Dá pra descobrir um monte de coisas e se divertir horrores! Vamos lá então? ;)
Neste ano as minhas “coisas” favoritas da Bienal foram:
As Núbias. Gente, o que são as Núbias?? Num estande microscópico, vendendo apenas esta obra (chamada “Núbia” – segundo o folheto, o livro erótico mais vendido do ano!), estão SETE mocinhas de minissaia. O slogan colado na parede? “Escolha a sua Núbia”. A ideia é você comprar o livro (com 50% de desconto, parcelando em “duas de dez”!!!) e escolher uma delas para autografar o livro. É de passar mal de rir, porque elas AVANÇAM em quem passa perto. Fizeram isso com o meu namorado... e com a minha vó!
O autor de cordéis. Sozinho, com os livrinhos pendurados no cubículo reservado a ele, me comoveu com aquela melancolia da ruazinha dos autores solitários.
O estande dos EUA. Isso precisa ser mencionado, porque achei a coisa mais linda do mundo neguinho fazendo fila pra bater foto com o Obama de papelão em tamanho natural (CLARO que eu fui lá também né!!!!). Tinha até foto autografada do presidente americano sendo distribuída. NUNCA que na era Bush algo do gênero aconteceria. O Obama, mesmo que passe 4 anos dormindo na Sala Oval, já vai ter feito coisa pra caralho em prol dos EUA.
O estande da mulher do Raul Gil. Pois é. A mulher do Raul Gil não só escreveu um livro como tinha um estande com TV de LCD, sala de autógrafos "envidraçada" (não é vidro, é plástico, mas cês entenderam :P) e o escambau! Docinhos, vinhos, balinhas, até sacola personalizada com a capa do livro eles tinham! Resultado? Quarto dia de feira e minha mãe já tinha ganhado um exemplar de graça.
O livro “TETAS”. No estande espanhol havia um livro infantil que explicava por que diabos meninas têm “tetas” e meninos não, além de explicar pra que elas servem. Inacreditável!
Essas foram as coisas maneiras. Mas tivemos alguns fiasquinhos, vai:
Brindes FAIL na Record. Prometiam uma coisa e davam outra nada a ver. Por exemplo, quem comprasse dois livros do House em tese ganharia “brinde especial” (ou algo do gênero) da Universal. Sabe o que ganhamos? Um bottom de um livro de vampiro e outro da Gossip Girl. Tsc. E minha irmã, que comprou Gossip Girl, não ganhou nada! Tsc!
Estande da Devir menor! Oh, que tristeza! O que antes era o antro nerd-HQ da Bienal, numa daquelas ruas centrais, virou um stand médio no canto. Que pena :/
Estande da Cia das Letras com muro. Que merda, hein? Acabou que isso me confundiu e não consegui achar a entrada!
Fila surreaaaaal na L&PM. Foi o que mais partiu meu coração, pois saí da feira sem meus dois pockets do Dilbert que eu ainda não tenho :(
Pavilhão verde reduzido. Quem já foi a várias feiras percebeu que o espaço para comida dentro do pavilhão ocupou um tamanho inédito este ano. Nunca foi tão grande!! É a crise....
Estande da Piraquê. Sim, Biscoitos Piraquê. Alguém explica?
Estande da Publifolha com esquema mongol de vendas. Gente, quando esse pessoal vai mudar? Segunda vez que rola essa palhaçada! Você simplesmente é induzido a desistir da compra! Isso porque você tem que, ANTES de entrar na fila, catar uma mocinha para te dar um “tíquete”. E detalhe que nenhuma mocinha lá te atende, pois elas ficam conversando intensamente entre si – a ponto de você ter que cutucá-las para receber a porra do “tíquete”. Mas isso só depois que você já se estressou porque entrou na fila e não conseguiu pagar e teve que entrar na fila de novo. Aiaiai. Nunca mais, Folha!
A desinformação INACEITÁVEL no atendimento de certos estandes grandes. Não tenho certeza, mas acho que foi na Ediouro – onde eu vi, no telão, anunciarem o livro sobre o Steve Jobs, “A Cabeça de Steve Jobs”. Fui perguntar para as mocinhas quanto custava e foi um festival de trapalhadas. Como eu não sabia o nome do livro direito na hora, foi praticamente impossível um diálogo produtivo. Eu: “É aquela biografia do Steve Jobs” e a mocinha, sem pensar, digitou no computador “BIOGRAFIA”, como se este fosse o título do livro (!!!). “Não, não... é uma biografia, mas não com esse nome” “Ah, foi ele que escreveu?” – e tasca a digitar STEVE JOBS como autor (tsc!!). “Não, não... o livro é sobre ele, mas não foi ele que escreveu...” e a garota me olhava como se eu fosse um alienígena. Mas PORRAAAA! C’mon! Não é como se o livro fosse obscuro! ELE TAVA EM DESTAQUE NO TELÃO, CARALHO!!! Agora adivinha se eu consegui comprar...... ¬¬
Bom, finalizando, seguem dicas rápidas para quem ainda pensa em circular por lá (o que eu fortemente recomendo):
ao fazer sua listinha de compras, anote o nome da editora, para que você compre direto com ela (assim você evita confusão no estande da Saraiva, onde só tem sem-noção atrás de crepúsculos da vida);
vá nos estandes de distribuidoras (para livros com preços ridículos, na faixa dos 10 reais ou menos);
para livros ainda mais baratos, vá nos últimos dias de feira (teve um ano que saí de lá com 20 livros a 1 real cada);
passeie pelos pavilhões escondidos e longe da muvuca (para descobrir que existe mundo fora dos grandes conglomerados editoriais);
visite a ruazinha melancólica dos autores de um livro só, que ficam sozinhos com suas obras (às vezes tem alguém entregando folhetos, mas geralmente é o próprio escritor que te aborda!).
A Bienal do Livro é fascinante. Ocorre na puta-que-pariu do Riocentro, fica lotada nos fins de semana, há filas insuportáveis por tudo quanto é canto hypado, você tem que comer porcarias (correndo o risco de ouvir um “já acabou”).... MAS EU AMO. Ôun!
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